A Garganta da Serpente

. Permart

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Brumas de domingo

Amor este, amor, que por ti tenho
Placidamente, ante brumas cinzas
Chuvas e lágrimas no canto criam
Muda de flor pétrea em desalinho

E não me tens nada de graça, nada
Com muito ardor - uma dor n´alma
Tenho o centro do ser em desgraça
Outrora o tinha em efusiva calma

Como um tiro a saudade me fere
Saudade, não só uma bela palavra
Saudade é uma dor que entristece
É a gota de sangue da bem amada

A flor pétrea ao céu um grito exala
Num cálice branco de alma triunfal
O líquido divino chora, sofre, cala
Instando amor, amor puro, eternal

Fica a utopia, um sempre sonho da morte
Ainda que a indelével esperança se prostre
A tristeza é uma nuvem irascível e pobre
Afável sua beleza e sombria minha sorte.


(A. Permart)


voltar última atualização: 19/12/2007
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