A Garganta da Serpente

Luís Carlos de Oliveira

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Casa dos avós

No platô exercia a casa sua função
de palácio, resquício imperial.
Orquestra de aves, exército de insetos,
Súditos pinheiros e laranjeiras.
- Não mexa no ninho de beija-flor!
O chão formava células
do pisar, chover, rachar.
Crescia, brotava, vertia
Feijão, café, tia.
Choveu ontem e chove ainda hoje
na lembrança; lama e luz de querosene
vasculham a sala.
Pulgas estrelam no céu da cama;
Bambu trança o forro do teto,
Capim amortece o sono.
Filho , eu confio no cheiro de fumo.
Como neto sou consagrado!


(Luís Carlos de Oliveira)


voltar última atualização: 25/03/2000
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