A Garganta da Serpente

Lhenrique Mignone

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Anatomias de Vênus - V

Minúscula gruta de prazeres infindos,
Escondido em rego de vale suave,
Entre glúteas montanhas gêmeas,
Simétricas, feitas a compasso;
Caminho que percorro, passo a passo,
Com suaves beijos, carinhos, abraços,
Onde me quedo e repouso a cabeça
Em sonhos de menino, que ora descubro,
Ao vê-la em decúbito, sobre cetins,
Em toda a extensão de seu corpo lindo,
Amado, desnudo, silente,
Latente no torpor de depois.

És soberbo, na moldura de tuas pregas
Rendadas, nunca antes tocadas,
Circundadas em cilíolos!
Pedido, implorado, negado,
Ao concedido, acariciado, beijado,
Gentilmente és penetrado
Em lingüíneo devassar;
Suave, úmido, apertado,
Cedes, pulsante, isócrono
Se faz acolhedor, relutante,
Se mostra envolvente, apertado, quente
E, afinal, quando trespassado,
Retribues com um gemido sentido,
Profundo, de prazer e de dor.

Ao contrário de teu próprio sinônimo
Monossilábico, por seres divino,
És simples, és único, primário,
Mesmo aparentando plural;
E, por seres, assim, tão especial,
Nem mesmo admites diminutivos,
Aumentativos ou superlativos,
Pois deles prescinde.
És e serás sempre, lindo, soberano,
Eternamente, simplesmente
Onírico círculo do amor.


(Lhenrique Mignone)


voltar última atualização: 17/08/2009
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