A Garganta da Serpente

Lhenrique Mignone

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Anatomias de Vênus - III

Se Deus não a tivesse feito assim,
Se você não existisse,
Asseguro, eu a inventaria!
E, bem mais que isso,
Eu a faria exatamente como você é...
Eu a modelaria, cinzelaria,
Esculpiria cada um de seus detalhes,
Terna, carinhosa, cuidadosamente,
Exatamente como você foi feita,
Perfeita, não mudaria nada em você.
Eu a criaria novamente
Suave enlevo, monte de Vênus,
Repousado em triangúleo jardim,
Cimótrica e com o mesmo delicado botão,
Gineceu entre pétalas perfumadas,
Gruta inscrita em sua forma oblonga,
Desafiando conceitos arquiteturais.
Seria exatamente como é,
Porta de entrada para o paraíso,
Porta de saída para o inferno da vida.
Se me fosse permitido,
Somente mudaria seu nome,
Eu a chamaria diferente;
Eu a nominaria como flor,
Já que você é tão cheirosa,
Ou então como fruta,
Já que você é tão saborosa,
Ou, até mesmo, como pássaro,
Já que, com sua plumagem colorida,
Você é livre, mesmo em sua liberdade contida.
E, tivesse eu poderes para tanto,
Poderes plenos, mundiais,
Decretaria que a chamassem sempre
No diminutivo, de forma singela,
Veneranda, carinhosa...
Proibiria que lhe atribuíssem apelidos,
E, muito menos, adjetivos,
Porque você, perfeita, amor
Você os dispensa, como uma flor
Rosada, rubra, linda como uma rosa.


(Lhenrique Mignone)


voltar última atualização: 17/08/2009
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