A Garganta da Serpente

Lhenrique Mignone

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Anatomias de Vênus - II

De Carrara, marmóreas colunas gregas
Que em pétreas fusiformes formas
Sustentam como um capitéu,
Teu ciótico ventre amado.
Tênue penugem que as recobrem,
Como camurça a pele dourada
E que se eriça, delicada
Ao toque suave, gentil,
Da mão que as percorrem ávida.
Estradas simétricas, paralelas,
Separadas por vale profundo
Que conduzem à porta do infinito
Em que me lanço, em que me perco,
E que se abrem, amigas,
Convidativas, e que me cingem
Em um cósmico abraço,
Onde me encontro, me revolvo,
Prisioneiro avesso à própria liberdade.
Garras múltiplas,
Octópodes, que, como um polvo,
Me enlaçam, atraem, repelem,
Me conduzem por este istmo,
Em direção a tua essência,
Pedindo, requerendo, exigindo,
Alternando o bailar em celestiais ritmos,
Com doces marasmos,
Com frenéticos movimentos,
Diabólicos, desvairados, orgísticos,
Convulsivos,
Que culminam em múltiplos orgasmos.


(Lhenrique Mignone)


voltar última atualização: 17/08/2009
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