A Garganta da Serpente

Lhenrique Mignone

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Anatomias de Vênus - I

Ao vê-los deslizar desnudos,
Libertos de tiras que os toldam
E de casulos de couro que os confinam,
silentes flutuando no persa
mosaico tapete do quarto,
quando em minha direção caminhas,
quedo-me a observa-los,
extasiado, constrito,
em sua perfeição decrescente
de falanges, de curvas co-sênicas,
de suavidade infinita.
Ao vê-los destacados,
Emersos da alva espuma
De sais da banheira,
Cinco delicadas cerejas
Esmaltadas, direitas, esquerdas,
Quedo-me a desejá-los,
Sequioso, faminto,
De sua textura,
De suas formas,
Inebriante absinto.
Ao ouvi-los roçar
O cetim macio dos lençóis
De nossa cama,
Que vibra, chora e lamenta
Como cordas de violino plangente,
E que, atrevidos, homótipos,
Se lançam em carícias nos meus,
Se enroscam em minhas pernas,
Mordiscam meu sexo e,
Sem nexo, meus pelos,
Não mais me contenho:
Tomo-os em minhas mãos,
Acaricio suas plantas, calcanhar,
Peito, artelhos, detalhes,
Envolvo-os em minha face,
Quedo-me a beijá-los, lento,
Ascético, venerando,
Lanço-me a sugá-los, violento,
Apóstata, fáunico, demente,
Levado ao êxtase infinito,
Em nova ereção crescente.


(Lhenrique Mignone)


voltar última atualização: 17/08/2009
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