A Garganta da Serpente

Heloisa Galvez

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Capelinha de Melão

Um Joano e uma Joaninha
Entraram pra casar na capelinha
Capelinha de melão
O padre era um bicho de goiaba
Plácido
Que enjoou do cheiro doce
E procurou um sabor mais ácido

O aroma de melão
Onde fez a capelinha
E casou tudo que é ser vivente,
Daquela plantação

Eu era nesse tempo uma perceveja
Apaixonada por uma aranha
Bem caranguejeira
O padre fez contestação
Mulher com mulher dá jacaré!
Caso não!

Chamamos as abelhas feministas
As formigas ativistas
Minha amada ameaçou o padre
Com seu veneno mortal
Sacristão do capeta!
Careta, careta
Fugiu com o circo mambembe
Dos irmãos pulgas pernetas

Eu e minha amada
Desconsoladas
Casamos no informal
Um besouro africano
Fez um tal de ritual
Cruzaram raios no céu
Caíram mortas, as pombas...
Disseram ser coisa do mal.

Casamos assim afinal
E na lua de mel na colméia
Convidadas da rainha
A terra estremeceu
Começou transformação
No primeiro cafuné
O padre vingou maldição
Viramos jacaré

Arrebentamos colméia
Matamos os bichos e as bichas
Viramos predadoras
Hoje vivemos no rastro
Do bicho de goiaba enjoado
Quem passa perto morreu
Somos um circo de horrores
O padre terá morte lenta
Numa noite de lua cheia
Deixaremos orgulhosas
Sua carcaça gosmenta...


(Heloisa Galvez)


voltar última atualização: 26/10/2010
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