A Garganta da Serpente

Heloisa Galvez

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Shiva

Shiva, Shiva,
Meu amor, meu destruidor.
Shiva, Om Nama Shivaia
Shiva não vá, ainda não...

Por que me trouxe de tão longe?
Pra esse reino azul, pra sua pele azul, por quê?
Sua canção colocou ouvidos no meu coração.
Shiva, Shiva, isso não se faz não...

Om Nama Shivaia
Seus olhos têm tantas janelas.
Por que me prendeu neles, e fechou todas elas?
Como vou sair, daqui...
Me solte ou não vá, não vá.
Shiva..não vá...

Oh não vá Shiva, não vá...
Você já me destruiu...e estou tão feliz
Estou por um triz, por um triz de tão feliz!

Sonhei tanto em amar você no Ganges,
Vi devotos do nosso amor, jogando flores de todas as cores azuis,
No mar onde navegamos nosso amor serpenteado,
Seu corpo quando ama fica dourado, eu quando morro ardo...

Essa serpente em seu pescoço
Essa serpente era eu, como um colar
Te envolvendo , te mordendo, te esmagando
E você morrendo sobre seu próprio mar....

Milhares de portos pra atracar tanto amor...Tanto amor.
Cobri o seu corpo de beijos até o momento supremo.
Que do alto do firmamento, apareceu um lamento do resto do mundo.
Como um grito de tédio a reclamar.
Todo vinho, todo vício, todo amor que eu roubei só pra te dar.
Pra te seduzir, te enfeitiçar...

Shiva, sonhei tanto...
Não sabia o certo, nem o errado.
Sonhei que eu era sua Parvati.
E entendi que era só uma parte.
Da sua rota divina
(Mas eu já estava em sua retina)

Por isso pedi, me destrua!
Sou sua, já sou sua!
Você me amou naquela noite
Chorou quando amanheceu,
E sem hesitação.
Destruiu-me e esvaeceu...

Nataraja vem!
Shiva Nataraja vem!
Vem me reconstruir!
Nataraja vem!

E dançando com seu Damaru.
Você, com outro nome voltou.
Pegou o pó que restou.
Trouxe pro Novo Mundo.
E aqui me plantou em solo mais fecundo...

Calma Shiva, Shiva calma...
Vou crescer em um segundo...


(Heloisa Galvez)


voltar última atualização: 26/10/2010
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