A Garganta da Serpente
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as pedras de Cusco

as esporas
dos galos vermelhos da manhã
riscavam as pedras de Cusco
            com aço e fogo

tinir de sinos
            e o bronze do sol

as moças lavavam
os cabelos na fonte
e a fronte dos cavalos
também era vermelha

porque a grama
ninava os meninos
e suas esporas de prata
e abotoaduras de ouro
e dentes de metal
tudo brilhava ao sol

despiam-se os milharais
no fim da safra
um imenso amarelo
e seus grãos

e era verão
no coração dos homens
e baixo ventre das mulheres

no calor da tarde
a grande árvore
abraçava a praça

e ao longe galos novos
testavam os quintais
bicando o oco do horizonte


(Edson Bueno de Camargo)


voltar última atualização: 23/05/2017
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