A Garganta da Serpente
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O TEMPO DEPOIS DE TI

Não posso entender o passar do tempo ainda
Pois o meu não passou
Mais olhando tuas rugas em tua face já murcha
Sei que outrora elas serão minhas.

Serão minhas tuas historias
E no doce balançar do vento
Toda tua existência
Tuas lágrimas, teu toque, seu cheiro
Adormeceram em mim
Serei o tempo que não se apaga, o tempo depois de ti.

Perante os caminhos da vida talvez esqueça tuas marcas
Perca os seus pedaços em mais alguém que depositei
Carinho, amor
Na defesa que o coração inventa para não chorar
Deixando tudo lá quieto nas suspensas lembranças
Para brotarem no vazio do mundo
Como saudades.

Das tuas rugas ao envelhecer dos dias
Que lembram em cada célula que morre no esvair da vida
Que viver é preciso.

Mesmo sentindo, perdendo a todo instante
Morrendo
Somente assim nasce o tempo que serei e não se apaga,
O tempo depois de ti...


(Anísio Lana)


voltar última atualização: 30/10/2006
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