A Garganta da Serpente

Angela Oliveira

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PEREGINAÇÃO

hoje, caminhei pelo mundo
no espaço íntimo do meu quarto
dando ao mundo das formas
um sentido diferente...

olhei para o velho armário
e percebi na forte madeira
a imensa floresta encantada
com duendes, silfos e fadas...

no copo d´água
sobre o criado-mudo
percebi uma cachoeira
e numa pedra, a Iara...

nos frascos de perfume
sobre a velha cômoda
abriu-se um jardim florido
onde querubins esvoaçavam...

o pequeno flash de luz
do abajour surrado
se transformou em sol
de um horizonte perdido...

e eu, como viajante
desse mundo particular
finquei os pés no solo
balancei braços no ar...

naveguei em mares
escalei montanhas
embreei pelas matas
segui o vôo dos pássaros...

da caixinha de balangandãs
retirei rotas e mapas
fiz do meu cofre de porquinho
tesouros de piratas...

cabideiro virou lança
lápis, pequena adaga
lista de compras, boa luneta
e jarra solitária, espada...

icei velas, conduzi leme
combati tempestades
e em terra firme
venci moinhos-de-vento...

como D. Quixote
me senti Joana D´Arc
quis ser Tetis, a deusa
mas sou apenas, Angela...

preciso ser mensageira
por isso, mendigando luz
sigo o rastro de uma estrela
que se perde no infinito...


(Angela Oliveira)


voltar última atualização: 16/04/2007
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