A Garganta da Serpente

Andityas Soares de Moura

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FLOR SUFICIENTE

I - MONODRAMA

Respeitar
o soar agudo
da hora

exercícios anfíbios

o chão sujo
de branco convida
o eremita
a silenciosos
desesperos

Não chores pelas flores
o perfume
será teu sustento

Até mesmo teu corpo
conversaria
com a luz

o estudo me fez espirituoso

dividiremos as sombras


II - MADRI

O campo todo escuro
grama verde
sussurra delicadezas

Estás pisando o solo de sangue

Veias feéricas
saltitantes crianças maltrapilhas
Ai ! só vejo a torre da igreja

Estás pisando o solo de sangue

Um encantamento antigo
mãos e pedra
ainda agora havia um sol vermelho !

Estás pisando o solo de sangue

Para que perambular pela vila ?
um copo de vinho branco
Para que se matar no velho porto ?

Estás pisando o solo de sangue,

III - PAX ROMANA

Tu, deitada no templo, decifrando as
escuras pilastras da casa, ouve
minhas palavras metálicas. Ainda
hoje saborearei teu corpo, quer
m'ofereças, quer não. Jasmins
tenho em minha carroça para
impressionar teus gostos arrojados,
Serei um afável salteador, roubando-te
as mais pecaminosas
excitações cerebrais. Ainda hoje tu
te deitarás comigo no prado.
Afastemo-nos da cidade. Então
apresentar-te-ei vários elixires, temperos
raríssimos.

Os milênios serão nossos confessores.


IV - EMBOLADA

bolhas no riacho
vento em noite fria
névoa baixa

sono em pupilas pequenas
por que recusar o vinho ?
tão árdua é a víndima

estreito tapete de folhas
a inocência do musgo

enormes massas de ar amarelo
e morno entorpecem a saúde,
coisas rápidas entre os galhos

Oh verdes cepas ! Frutos e legumes bondosos,
grosseiros, gigantescos vegetais inocentes

Os filhotes de burro
dormem ao lado da
fogueira

finalmente os primeiros
raios do crepúsculo

(Poemas do livro "Lentus in Umbra")


(Andityas Soares de Moura)


voltar última atualização: 02/09/2010
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