A Garganta da Serpente

Ana Maria Ramiro

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TAUROMAQUIA

No oco da boca
paira um segredo mal guardado,
embotado pela fêmea
que o habita.

Vórtice semi-cerrado de dentes e lábios,
magna fenda
de um universo a ser tragado,
deglutido
e novamente soerguido,

a boca regurgita.

Mas a quem caberá o jorro do abate?
Quem vai preparar a ceia do ocaso?

No oco da boca
crescem flores de fogo,
mas no fundo do olho
permanece a menina

alheia
e em chamas

                     uma menina que grita.

(inspirado no livro "Espelho da Tauromaquia" de Michel Leiris)


(Ana Maria Ramiro)


voltar última atualização: 13/02/2006
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