A Garganta da Serpente

Agatós

  • aumentar a fonte
  • diminuir a fonte
  • versão para impressão
  • recomende esta página

Silêncios

É a boca que se cala por tanto tempo.
Tanto medo há em um som que nem se vê.
Muitos sonhos, por este silêncio, então se passa,
Quantas falas ainda esqueces pelo tempo?

Não perdoa, nem mesmo, tua jornada.
Partes que dividiste de ti mesmo.
E o pouco que ainda resta nesta marra,
Quão pouco ainda te tens? Quanto te deixas?

Esta saudade insensata assim dispara.
Corre, avança, conquistada pela mata.
Arranca-te com sede de tua vitória
e consome-te aos poucos em puro desejo.

Que retorne a ti, então, aquilo que te falha,
Que devolva-te a boca o aquele perdido medo.
E ela, que agora te grita nessa estrada enluarada
e ousa ainda a avançar-te sobre o sinuoso desfiladeiro ,
Caminha sobre ti e a tua alma,
Desliza sobre teu o pó,
Avança sobre o teu silêncio.

Pois, que nessa graça, tu, assim se faça.
De tempos em tempos,
Sempre dizem: tantos tempos.
Que, agora, escapa pelo segundo nesta nova entrada
Uma nova morada ainda não avistada
Nesse novo segundo,
Eterno leito.


(Agatós)


voltar última atualização: 29/10/2010
2561 visitas desde 29/10/2010

Poemas deste autor:

Copyright © 1999-2020 - A Garganta da Serpente