A Garganta da Serpente

Adailson Pinheiro

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Meninos católicos

São puros como anjos
Eis os serviçais dos altares
Faces pálidas em devoção
Ao olhar sacerdotal
Do pederasta que te deseja.

Discretamente sofrem...
Discretamente gozam um gozo falso
Suspiram libidinosamente nas sacristias
Contrariam a naturalidade
E deixam fenecer sua frágil masculinidade.

Almas gentis se curvam
Aos pés da santa cruz
Ajoelham-se e cospem blasfêmias
Maldizem os umbrais da casa de Deus
Pecando e se redimindo no autoflagelo.

É aquele homem sacerdotal
Que na batina escondida guarda
O terror de uma personalidade atormentada
Servo de Deus e operário do demônio
Nas horas úteis e nas horas vagas...


(Adailson Pinheiro)


voltar última atualização: 19/11/2007
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