A Garganta da Serpente
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PÁGINA

Tenho medo de virar a página
Porque esta pagina eu já conheço
As linhas marcadas
Espaços em branco
Parágrafos tortos
Manchas difusas
Cantos amassados
Letras corridas
Num traço imperfeito
Tudo aqui, nesta página que já tenho tem seu jeito

Mas a outra página
Ela me dá um profundo medo
Receio que as linhas não mais tenham fim
Tremo de pensar que os espaços tenham cor e alma
Imagino o tamanho de cada parágrafo
Deliro ao tentar adivinhar as cores de cada mancha
E os cantos
Como devem ser os cantos meu Deus ?
Serão cantos amassados, ou bem cuidados ?
E os traços ? o que me aguardam estes novos traços ?
Serão eles um esboço, um rascunho, ou a perfeição de um abraço ?
Na nova página nada tem meu jeito

Então fujo da página nova
Vou revirar o passado, ler cartas antigas
Lembrar de velhos amores e afagar seus suores
Porque do passado eu tudo já domino
As dores são as mesmas, o choro já sei de cor
As noites que não dormi e marcaram minha pele em flor

E a pagina nova continua lá, silenciosa
Esperando que um dia eu crie coragem
Pra virar mais uma pagina
E descobrir que sou feita
De paginas inteiras, imperfeitas
Mas que em novas paginas tudo tem seu mais novo sabor


(Adriana Alves)


voltar última atualização: 05/01/2010
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