A mão vermelha do ódio,
Chefa vidas inocentes
Rega com sangue as sementes
Da ganância obstinada.
Promove sangrentas lutas
Dos negros, pobres e putas,
Dos sem terra e dos sem nada.
Como fizeram com o negro
E legendário Zumbi
Que já nasceu por aqui.
No quilombo dos Palmares.
Foi morto decapitado
Sem ao menos ser julgado.
Por algozes de outros mares.
No século dezessete
Aconteceu esse fato
O genocídio no mato
Vem de muito tempo atrás.
Quatro séculos depois
Nenhum governo se impôs.
Às forças dos capitais.
Um visionário acreano
Que defendia a floresta
Numa tocaia funesta
Ganhou o "eterno sono"
Um ideal não se vende
E o sonho de Chico Mendes
Virou projeto da ONU.
O episódio mais triste
Da nossa atualidade
Envolveu autoridade
Numa chacina impensada.
O cenário inda comove
As vidas de dezenove
Foram ceifadas por nada.
Existe uma eterna sede
A de justiça e a de água
Do sertão que só enxágua
Já no apagar das luzes.
Os jornais falam dos poços
E das covas rasas com ossos
Nos cemitérios sem cruzes.
A violência no campo
É tema internacional
E manchete de jornal
Escrito e televisado.
Livros que tratam do assunto
Não sabem quantos defuntos
Na mata, foram jogados.
Quando alguém é presidente
De um sindicato rural
E luta pelo ideal
Dos pobres trabalhadores.
Assina a pena de morte
Dele e da sua consorte,
Pode encomendar as flores.
Pode ser religioso
Padre, pastor missionário,
Para o latifundiário
Nossa justiça é caolha
Se a pessoa não se cala,
Até freira entra na bala
Sem o direito de escolha.
A tal da Reforma Agrária
Caminha tão lentamente
E o estado é tão ausente
Nas glebas dos assentados.
Que os colonos sem apoio
Vende o trigo e come o joio
E o banco confisca os gados.
O Brasil é muito grande
Mas a ganância é maior
E vai de mal a pior
Essa escalada nefasta.
Porém o dever nos chama
Não somos filhos de Bhrama
Podemos mudar de casta.
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