A Garganta da Serpente
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Histórias de uma Não Vida

(Tanus)

Meu nome é Alexander, Bogardan, tenho 25 anos, moro com minha família.

Trabalho, ou melhor, trabalhava como web designer no edifício Central Park, sou meio solitário, mas isso não quer dizer que eu seja antissocial, apenas gosto de ficar sozinho para refletir sobre algumas coisas. Tenho uma paixão pelo sobrenatural, gosto de histórias de vampiros, lobisomens, sempre fui fascinado por isso. Mal sabia eu que isso tudo que nossos avós nos contavam para nos assustar não era apenas "conversa pra boi dormir".

Sou testemunha dessas histórias, ou melhor, dizendo eu as vivo!

Uma vez eu fiquei até tarde no edifício, estava quase entrando no elevador quando ouvi uma conversa muito estranha numa sala ali perto.

- Tem certeza que o prédio está vazio? - Sim tenho, todos os humanos saíram, podemos ir adiante para caçar.

Fiquei ali parado, ouvindo, mas não entendia nada, de que caçada eles estavam falando?

E por que usaram a palavra humanos, o que eles eram afinal?

- vamos pelo elevador tudo bem? - por mim tudo ok.

Assim que ouvi comecei a correr em direção as escadas.

- Ei você ouviu alguma coisa? Perguntou um deles para seu companheiro.

- ouvi sim, parece que tinha alguém aqui, mas seja lá quem for já não está mais aqui.

Eu desci as escadas com cuidado, para que não fosse notado, consegui chegar ao térreo sem ser visto sabe-se lá por quem ou o que.

Pouco depois ouvi aquelas mesmas vozes outra vez.

- Vamos no meu carro, temos que ir rápido, estou faminto! - Eu também, disse a outra voz.

E estava cada vez mais assustado, mas minha curiosidade falou mais alto, resolvi segui-los à distância, eles estavam indo em direção a Avenida Jove Soares, mas foram para um lugar mais escuro e saíram do carro, eu estava a uma distância "segura" e pude vê-los, pareciam ser pessoas comuns, mas estavam vestidas de preto, tinham o rosto meio pálido, de repente uma pessoa estava indo na direção deles, era uma garota de programa, eles a chamaram para dentro do carro, passaram se alguns minutos, então comecei a ouvir gritos saindo de dentro do carro, fiquei apavorado, o que eles estavam fazendo?

Então os gritos pararam, e eles saíram do carro outra vez, um estava carregando a mulher em seus braços, parecia que ela estava morta, tinha sangue em suas bocas, o que era tudo aquilo? Por que mataram ela? Eles começaram a falar em uma língua estranha, nunca tinha ouvido nada parecido antes, passados alguns minutos eles se afastaram do carro e começaram a andar, o que estava com o corpo da garota a colocou dentro do porta malas do carro, com um pouco de relutância eu desci do meu carro e comecei a segui-los, eu não sei porque eu faria isso, qualquer outra pessoa em seu juízo perfeito teria ido embora e deixado por isso mesmo, mas eu não, eu queria saber quem eram aquelas "pessoas" não precisei andar muito para achá-los, mas desta vez eles não estavam mais sozinhos, haviam mais deles, estavam em 4 agora, cheguei mais perto para poder ouvir alguma coisa.

- E então, estão prontos? - Sim, já estamos satisfeitos, vamos logo, Danov já está nos esperando, e ele detesta que cheguemos atrasados!

- Sim, vamos logo então, meu carro está logo ali e... Ei! Quem está aí?

Eles tinham visto alguém, era um cara enorme, e muito musculoso, estava indo na direção deles, todos, mais do que depressa sacaram armas e começaram a atirar, eu estava com muito medo agora, eles atiravam, mas o outro não era atingido, parecia que de alguma forma ele se desviava das balas, era tudo muito rápido, então o grandalhão sacou uma espada e investiu contra um que atirava com um revolver, foi um golpe certeiro, ele conseguiu cortar o braço que estava segurando a arma, em seguida ouviu-se apenas seu grito de dor, - aaarrghhhhh!!!!!!!!!!!! Meu braço! Seu maldito!!!!!

Logo depois foi a vez do outro, com uma rapidez fora do normal cortou a cabeça do segundo, o que se viu foi uma chuva de sangue que molhava todo o asfalto, a luta não durou mais do que alguns segundos, todos os 4 estavam mortos, eu estava paralisado de tanto pavor, quando tentei escapar ele já estava perto de mim, senti minhas pernas tremerem, meu corpo não me obedecia, eu olhava fixamente para aquela pessoa que me olhava com olhos de profundo desprezo pela minha pobre vida, então ele falou. - Você viu tudo não é mesmo?Eu engoli a seco, apenas balancei a cabeça positivamente.

- Se você viu então, agora não posso deixá-lo ir, eu estava paralisado, não conseguia me mover, por mais que eu tentasse, antes que eu pudesse fazer algo, senti uma dor muito forte, mas estava tudo muito estranho, depois não havia mais dor, eu sentia meu corpo pesado, eu estava morrendo?

Este seria meu fim? Eu não via mais nada, nem podia ouvir coisa alguma, não havia mais nada.

Eu estava morto...

- Ei você acorde! - O... Onde estou? - Que lugar é esse?

Eu estava atordoado, todo meu corpo estava doendo, mas o que havia acontecido comigo?

Pensei que eu estivesse morto, de repente eu olhei para trás e vi a pessoa que tinha me atacado.

Não entendi mais nada, eu pensei que tivesse passado dessa pra melhor, então ele começou a falar.

- Resolvi poupar sua vida, - mas por quê? Onde eu estou? O que está havendo?

Eu estava num quarto enorme, muito bem decorado, móveis caros, candelabros de cristal, tudo bem ornamentado. - Por que me trouxe aqui? - Quem é você? - Calma! Disse ele com uma voz tranquila. - Uma pergunta de cada vez. - Eu me chamo Miguel, eu resolvi trazer você para meu abrigo.

- Você chama isso de abrigo? Um quarto desse tamanho? - Pelo tamanho desse quarto você deve morar numa mansão ou algo assim.

- Você é bem observador, foi por isso, que eu decidi trazê-lo para cá.

Mas qual era o objetivo dele? O que ele queria de mim? Meu pescoço doía muito, - Você está no Cerqueira Lima, aqui é minha casa, Agora você é um de nós, - Um de "nós" Como assim?

Fiquei mais espantado ainda, afinal, o que ele quis dizer com isso? Ele começou a me explicar, - Você foi mordido por mim, agora você é um vampiro! - Eu um... Vampiro? Como? Por quê? - Era isso ou eu teria que matar você, afinal você me viu matando aqueles outros vampiros, - Eles também eram... Vampiros? - Mas como? Isso não tem cabimento, eu um vampiro! - Duvida? Perguntou ele com um sorriso nos lábios. - Claro que sim, onde já se viu tamanha brincadeira de mau gosto, - então faça um teste, disse ele outra vez agora com uma voz mais séria, - olhe-se no espelho, tem um banheiro aqui no quarto. Eu me dirigi para o banheiro onde ele me disse, então eu tive uma surpresa enorme, dei um Grito. O QUE É ISSO? Meu Reflexo! Onde está? - Hahahaha, você não duvidava? Pois aí está a prova, você perdeu seu reflexo, esse é um dos "sintomas" - mas o que significa isso? Por que fez isso?

Estava completamente atônito, nessa hora, fiquei desconcertado, confuso, minhas emoções estavam num turbilhão de pensamentos confusos. - Eu sei como é isso, foi assim comigo também no começo, agora você tem uma "não vida" pelo menos é assim que chamamos. - Uma não vida? Mas e agora? O que vai ser de mim? Minha família, meus amigos, - é melhor eles não saberem de nada, ou estará em apuros meu caro... como se chama mesmo? - Meu nome é... ou melhor, era Alexander... - você agora sendo o que é, tem algumas coisas que tem que saber, - como o que por exemplo?

Como isso podia estar acontecendo? Por que fui transformado dessa forma? Eu não entendia mais nada... - Calma, não fique assim afinal não é tão ruim ser um vampiro. - Não mesmo? Eu por acaso vou poder andar de dia? Passear normalmente? Ver minha família todos os dias? - Infelizmente não, - então como isso pode ser uma coisa boa? Me diga COMO! Eu estava com muita raiva, então dei um soco na parede e abri um rombo na mesma. - C... Como eu fiz isso? - Essa era uma das coisas boas, você está muito mais forte,

- é... Mas... Eu não entendo, - essa é sua nova força, precisa de mais alguma coisa para fazer você acreditar? - faça um teste! Corra! Corra o mais rápido que puder, - mas pra que? Perguntei totalmente pasmo. - Apenas corra!. Comecei a correr, quando dei por mim, eu estava perto da minha casa! Como isso é possível? - Você está mais rápido também não acha? - É mais... Eu ainda não entendo, - vamos voltar para minha casa, tenho que explicar uma coisa para você, agora apesar de ser um vampiro, você tem alguns "deveres" para comigo e outras pessoas. - Outras pessoas? Como assim? - As coisas tinham fugido totalmente ao meu controle, o que eram esses "deveres", quem eram essas outras pessoas? - abaixei a cabeça e o acompanhei, - eu não tenho como fugir disso? Perguntei totalmente sem esperança de uma resposta agradável, - se quiser fugir desses deveres, você tem que arcar com as consequências ou então ser morto! - E então? Qual será a sua resposta? - Não sou de fugir assim dos problemas, eu vou aceitar esses deveres! - Fez uma boa escolha, agora vamos, já está amanhecendo. E assim começou minha jornada como vampiro, mal sabia eu que perigos e aventuras, me aguardavam.

Já em casa, Miguel começou a me falar de como um vampiro deve se comportar para não levantar suspeitas, tudo era muito novo para mim, mas algumas coisas eu sabia, afinal eu gostava de tudo relacionado com o sobrenatural, eu não sabia que lobisomens, vampiros e magos, existiam nos dias atuais, mas assim como os humanos, eles se adaptaram aos novos tempos, afinal de contas, todos têm pelo menos um traço de humanidade que sempre se adapta a mudanças, pelo menos é o que eu acho.

- Estou me sentido estranho... - estranho como? Perguntou Miguel, sem estar surpreso, - Eu estou com... Sede! Muita sede! Miguel o que eu faço? - Alimente-se ora bolas! - alimentar? Como assim? - Tenho que "Caçar"? - Bom, se você não quiser ficar assim, eu acho que sim, vá logo! E experimente, sinta a sensação de sugar a "vida" de uma pessoa! É uma sensação maravilhosa! - Como pode dizer isso? Eu não vou conseguir! - Você tem que tentar, ou então vai ser muito desagradável para você, - o que quer dizer? - Vá agora! Não me dirija à palavra até voltar da sua "Caçada", hahahaha!

Eu nunca havia sentido tanta agonia na minha vida, então eu sai da casa, a rua estava deserta, a sede falou mais alto, então sai como um louco a procura de alguma pessoa, ou qualquer coisa que tivesse, sangue, não demorou muito, para achar um homem sozinho sentado num banco, então, e eu olhei para os lados, só havia ele ali, já não suportava mais, quando dei por mim, eu já estava com meus caninos enterrados no seu pescoço, comecei a sugar seu sangue, era tão quente! Cheio de vida! Nunca tinha sentido tanto prazer na minha vida, era incrível! Eu estava ótimo novamente! Era como se eu tivesse "renascido". - Bom muito bom! Era a voz de Miguel atrás de mim, - Não achei que se sairia bem logo na primeira vez, e então, o que achou? - É incrível! Nunca senti nada parecido na vida! - É uma sensação boa não é? - É sim, mas e agora? O que eu faço com o corpo? - é melhor sumir com ele, - Mas como? - É melhor agir logo, e então ele desapareceu novamente, - Miguel! Onde está? Droga, e agora o que eu faço? Eu estava aflito, não sabia o que fazer com o corpo daquele homem, e comecei a ouvir passos em minha direção, fiquei desesperado, - E agora? Vamos, pense, pense! Então me ocorreu uma ideia, comecei a gritar por socorro, então chegaram algumas pessoas que saíram de suas casas apreensivos eles me perguntavam, - Ei o que aconteceu? - Eu encontrei esse homem caído no chão, por favor me ajudem! - Como ele está? - Sinta o pulso dele! - Então eu o coloquei no chão e fingi que estava procurando por algum sinal de vida, vida essa que agora fazia parte do meu ser, - E então? - sentiu alguma coisa? Um senhor me perguntou, - Ele não está bem, vou chamar uma ambulância, no instante que ele deu as costas, eu comecei a correr, só deu tempo de ouvir - Ele está morto!

Voltei para a casa de Miguel, ele estava me esperando sentado no sofá, - você foi imprudente, deveria tê-lo deixado lá, porque se dar ao trabalho de chamar ajuda, lembre-se que você não é mais humano, - eu sei, é que... - ainda não consigo ser assim como você, - não tem que ser como eu, apenas não deixe que seus sentimentos o atrapalhem a pensar, imagine se você fosse descoberto, eu iria ter problemas também, - você? Com problemas por minha causa? - Por quê? - Porque eu sou responsável por você, -mas como assim, me explique! - Tudo bem, eu vou te explicar, e também tenho que te levar para conhecer outras pessoas, - quando? - Amanhã as 20:00, temos que ir até o centro da cidade para apresentar você para os outros membros,

- Outros membros? O que quer dizer? Aqui nessa cidade existem outros como nós? Ele deu um sorriso e me disse, - Você ficaria surpreso se eu dissesse, é melhor ver com seus próprios olhos. Eu estava meio nervoso, mas mesmo assim, com uma imensa curiosidade, afinal quem eram as outras pessoas? E quantos eram? A coisa estava ficando mais intrigante, eu queria fazer mais e mais perguntas para Miguel, mas ele continuou irredutível, não queria me contar mais nada, só me disse que depois de me apresentar ele iria me treinar, eu não entendi o porquê, mal sabia eu o que estava por vir.

Na noite seguinte, eu estava com Miguel na sala, estávamos conversando sobre como seria minha apresentação para os demais, ele me disse que os outros, não tinham muita paciência com novas "crianças da noite" e isso me deixava apreensivo, - não tem que se preocupar tanto assim dizia ele com um ar de tranquilidade, - é só não deixarem eles ver que está ansioso, então eu perguntei: Danov vai estar lá também? Então o silêncio tomou conta do ambiente, - como você sabe esse nome? Perguntou ele com cara de espanto, - bom, eu ouvi aqueles outros vampiros, que você matou falar o nome desse tal de Danov, mas por que essa cara? - Não é nada, não sabia que ele conhecia aqueles caras, Miguel estava muito diferente depois que ouviu aquilo, eu não entendi bem o porque, mas tinha algo errado, eu podia sentir isso. Finalmente havia chegado o momento de ir até a apresentação, eu estava ansioso para ver os outros vampiros, Miguel me disse que praticamente todos estariam lá, então entramos no carro e nos dirigimos para o local, no caminho conversávamos, - Quantos vampiros existem nessa cidade? Perguntei com um tímido sorriso, - Para falar a verdade, nem eu sei quantos existem, pois mesmo numa sociedade organizada como a nossa, não é possível saber quantos são, - mas essa cidade é tão pequena, vocês teriam que ter alguma forma de saber, - é mas fica meio difícil, afinal vem vampiros da cidade vizinha para cá também, alguns entram na cidade e não se apresentam como deveriam, quebram as regras e aí alguns de nossa sociedade é incumbida de ou capturá-los ou então destruí-los, foi por isso, que eu estava lá naquele dia, numa cidade pequena não pode ter muitos vampiros, pois, ficaríamos em uma situação delicada, afinal um vampiro quando perde muito sangue, ele pode facilmente se alimentar de 2 ou mais humanos, e sempre temos que sumir com os corpos, - entendi então se os humanos dessa cidade acabassem nós teríamos de matar uns aos outros! - É isso mesmo, disse Miguel, não me contive e toquei no assunto que mais o aborrecera na noite anterior, - mas então, o tal de Danov vai estar lá também? Miguel estava visivelmente perturbado com minha pergunta, mas depois de ficar em silêncio ele me respondeu, - É provável que sim, ele é um vampiro bem influente no nosso meio, ele fornece informações de grupos rivais que tentam nos atacar desprevenidos, ele é uma espécie de "Mercenário" fornece informações para quem paga mais, ou em troca pede para exterminarmos alguém para ele, mas sinceramente, eu não gosto muito dos seus métodos - por quê? - Bom, é que alguns de seus métodos chamam muita atenção das pessoas, ele acredita que não devemos mais nos esconder, que os humanos são apenas alimento, enfim, essas ideias dele não são muito aceitáveis, afinal, dependemos dos humanos para fazermos transações bancárias, conseguirmos meios de transporte, armas entre outras coisas. - Mas como vocês os convencem? - Com dinheiro ora! Respondeu ele com um tom de deboche, - Por alguns trocados os humanos fazem de tudo, você também deve entender, afinal, os humanos em sua grande maioria pensa apenas em si mesma, não importando os meios para atingir seus objetivos, - é verdade, afirmei, com uma certa tristeza, e pensei comigo mesmo, as vezes, " Humanos são piores que demônios". - Bom nós chegamos! - Estávamos em frente a uma casa de shows conhecida pelo nome de "Automóvel Clube", - Esse é o lugar? Nunca imaginei que aqui tivesse um ponto de encontro de vampiros, - Certas coisas ficam mais bem escondidas se estiverem à vista de todos, disse Miguel com um sorriso nos lábios. Finalmente havia chegado à hora, que eu tanto esperava, mal podia esperar para ver e conhecer todos eles!

Então, nos dirigimos para uma porta bem nos fundos do recinto, realmente eu nunca poderia ter imaginado que existiria um lugar como esse numa cidade tão pequena, já na entrada fomos abordados por um homem imenso, Com olhar de poucos amigos, e ele dirigiu-se para mim e disse: - Onde pensa que vai? - Vou entrar, ele franziu a testa e retrucou, só convidados podem entrar, eu nunca vi você antes por aqui, quem é você?

-Me chamo Alexander Bogardan, vim para ser apresentado aos outros! - O que? Disse ele com um certo espanto, e quem está com você meu jovem? - Ele está comigo Rafael, por favor, deixe-o passar, disse Miguel com uma serenidade fora do comum, - M... Miguel! Mil perdões, eu não... sabia, peço desculpas pela grosseria, não sabia que ele estava com você! - Não precisa se desculpar, afinal, você não sabia e só estava cumprindo seu dever, então os dois ficaram conversando por algum tempo, pareciam ser amigos de longa data, mas Rafael tratava Miguel com extrema educação, era como se ele tivesse um enorme respeito por ele e um pouco de medo também, embora Rafael fosse bem mais alto, depois de uma longa conversa, Rafael se dirigiu a mim e disse: - Mil perdões, não sabia que estava junto com ele, eu me chamo Rafael, muito prazer! - O prazer é todo meu, não se preocupe, como Miguel disse, você estava apenas fazendo seu trabalho, - muito obrigado por entender, por favor entre! Sinta-se à vontade!

Então entramos, levei um tremendo susto, nunca tinha visto um lugar tão grande como aquele antes, tudo muito bem decorado, com várias mesas, um bar imenso, então Miguel me chamou, - vamos nos sentar ali naquela mesa, - tudo bem, assim que sentamos o garçom já nos abordou, - o que deseja senhor Miguel? - o de sempre? - sim, o de sempre pra mim, e você Alexander, o que vai querer? - Eu não sei o que me sugere? - façamos o seguinte, garçom, por favor, traga um drink especial para ele, - Com todo prazer senhor, com licença, eu estava pasmo, então Miguel perguntou: - E então? O que você achou? - Incrível, nunca tinha visto isso antes, todos são vampiros? Miguel sorriu e balançou a cabeça negativamente, - Não, aqui tem muitos humanos também, são nossos "Amigos" por assim dizer, eles nos fazem alguns favores, e em troca deixamos alguns privilegiados entrarem, mas para entrar aqui não pode ser qualquer um, ele tem que ter algo que nos interessa, como uma vasta rede de contatos para nos fornecer, armas, dinheiro, e outras coisas, afinal, não podemos andar de dia não é mesmo? - É verdade, tinha me esquecido disso, - quando vai ser minha apresentação?

- Calma, não seja tão ansioso, passaram-se alguns minutos e chegaram nossas bebidas, - Aqui estão senhores, se precisarem, estarei à sua disposição!

- Vamos beba! Disse Miguel, agora bem eufórico, comecei a beber, então veio, aquela sensação de bem estar, me senti tão bem, foi como naquela vez que eu tinha experimentado o sangue pela primeira vez, - Isso é ótimo! Delicioso! - Gostou? Perguntou Miguel - Nunca tinha provado algo tão saboroso! - Pois então, aprecie meu amigo! Ficamos conversando por horas a fio, então chegaram mais duas pessoas, uma delas era uma garota, extremamente linda! Ela tinha cabelos negros, olhos da cor da noite, muito bem vestida, nunca tinha visto um ser mais belo! Fiquei fascinado por ela, então ouvi uma voz bem grave vindo do seu acompanhante, - Adryelle, por favor, eu já lhe pedi para não usar suas habilidades em um novato, ela então virou-se e disse, me desculpe senhor Gerald, peço que me perdoe, não pude me conter mais uma vez, logo que ela desviou seu olhar do meu, eu me senti estranho, como se tivesse saído de uma espécie de transe, então o tal Gerald, pediu a Miguel para sentar-se conosco, ele concordou, Adryelle sentou ao lado dele, então Miguel me apresentou a eles, - Alexander, quero que conheça um de meus amigos, esse é Gerald Encalse, ele é um de nossos maiores aliados, e essa bela jovem, é se chama Adryelle, ela é uma de nossas guerreiras, assim como você, - sério? Perguntei admirado, - você uma guerreira? Incrível! - Você ainda não viu nada meu caro, disse Gerald, com uma voz amistosa, - então esse é seu novo companheiro Miguel? - Sim, disse Miguel com um sorriso nos lábios, - hoje vamos levá-lo ao conselho, Gerald espantou-se, - mas por que tão cedo assim? Você acha que ele está pronto para ir até o conselho? Acha que irão aceitar um novato que ainda é uma "criança", - Exatamente, disse Miguel com segurança, - você está falando sério? Por que isso agora? Então Miguel virou- se para mim com um olhar sério e falou: - Alexander, por favor fique aqui com Adryelle, eu e o senhor Gerald precisamos conversar a sós, - tudo bem? - sem problemas, então eles se afastaram, Adryelle também parecia incomodada com a notícia, comecei a puxar uma conversa para quebrar o gelo, - O que aconteceu? Parece chateada, - não, não é nada, eu só estou pensando o que Miguel tem na cabeça para levar você ao conselho, tão cedo, a maioria, demora pelo menos alguns meses, e você, mal tem experiência e ele já quer levar, você, eu não entendo, - bom, eu também não, mas ele deve ter suas razões, - você não está preparado, não essa noite, disse Adryelle com certa rispidez, - Mas afinal, qual é o problema? Perguntei a ela com uma certa indignação, - você acha que eu não estou pronto, ou que eu não tenho capacidade? - Os dois, disse ela com o olhar cheio de raiva, enquanto isso Miguel e Gerald voltaram para a mesa, ambos, estavam tensos, então Miguel disse: - Para ir ao conselho, você vai ter que realizar uma tarefa, disse ele com uma voz de preocupação, - que tarefa? - Terá que lutar essa noite, comecei a tremer, - Lu... Lutar? Mas por quê? Contra quem? - Contra Adryelle, disse Gerald, uma voz áspera, - Você terá que provar que é merecedor de ir até o conselho, já que Miguel deposita tanta confiança em você, eu não sabia o que fazer, estava tudo muito confuso, - o que foi? Está com medo? Disse Adryelle, com um tom de deboche, - Miguel, por que fez isso? Por que tenho que lutar, para ir até o conselho? Ele me chamou e nos distanciamos um pouco da mesa, Miguel olhou para mim com olhar preocupado, - olhe aqui, eu não queria que você tivesse que lutar tão cedo, afinal eu não te ensinei tudo que você precisa saber, vai ter que contar com seus instintos, mas tome cuidado, ela é uma das melhores, senão a melhor, de todas as missões de extermínio que foi convocada, sempre teve sucesso absoluto, ela é extremante cruel, tome cuidado com suas armas, e suas garras! - Garras? Ela tem garras? - Sim, tem, por isso, tenha cuidado, eu já estava em pânico, minha vontade era de sair correndo, mas, Miguel contava comigo, e eu não podia desapontá-lo, - E então Alexander? Como vai ser? Disse Adryelle com fúria nos olhos, - Eu aceito! - Muito bem! Está decidido! Disse Gerald com imensa alegria. - A luta será no saguão logo abaixo, preparem-se! Foi anunciado a todos eu haveria uma luta naquela noite, todos vibraram, eu que não esboçava nenhuma alegria, mas uma coisa eu tinha certeza, desta vez eu teria que mostrar para Gerald, Miguel e Adryelle, que eu merecia estar ali, eu e faria de tudo para não desapontar Miguel.

Nos dirigimos para o saguão, que era também enorme, todos se acomodaram, e começaram a vibrar de emoção, Miguel e Gerald sentara-se na primeira fila para assistir a luta, não havia mais nada para ser feito, a multidão delirava, parecia que não viam uma luta a muito tempo, então eu e Adryelle nos dirigimos para a arena, não havia mais nada a ser feito, a luta estava prestes a começar.

Nós nos olhávamos atentamente, nenhum movimento sequer, ambos nos estudávamos procurando uma brecha, uma fresta sequer, então, Adryelle perguntou: - O que está esperando? Devo atacar primeiro? Assim que ela terminou a frase ela já estava diante de mim, senti uma dor muito forte no meu abdômen, quando vi as garras de Adryelle estavam cravadas nele, ela sorriu e deu uma risada que me causou tremendo pavor, - hahahahahaha! Nunca pensei que seria tão fácil! E pensar que eu iria me divertir mais um pouco! Que pena! Meus então olhei bem nos olhos dela, agarrei seu braço e lhe dei um soco bem no seu rosto, com tamanha força, que Adryelle foi arremessada para longe, meu ferimento era bem grave, nunca pensei que seria ferido assim, - Não pense que acabou sua convencida! Eu não sou tão fácil de me render! Ela sorriu com um certo desdém e falou: - Agora sim, está ficando interessante! Não teria graça se você não esboçasse uma única reação! - Pare de falar e LUTE! A luta recomeçou, estava bem equilibrada, ambos estávamos bem feridos, então quando eu estava avançando na direção dela, ela desapareceu, fiquei atônito! Todos que presenciavam a lutam também ficaram surpresos, quando voltei a me concentrar, comecei a ser golpeado várias vezes, sentia suas garras rasgando minhas roupas e minha carne, o sangue jorrava, eu pensava comigo mesmo, "Como lutar contra o que não posso ver?" Então no meu desespero eu fechei os olhos, tentava me concentrar no som de seus passos, eu apenas ouvia as vozes dos outros, - O que ele pensa que está fazendo! - Ele vai morrer assim! - Nunca pensei que Adryelle fosse tão forte! Ouvi a voz de Gerald falando com Miguel, - É nesse rapaz que você deposita sua confiança? Não me faça rir, ele nem consegue acertá-la, o que estava pensando quando o escolheu? - Eu sei muito bem porque o escolhi logo você verá! Eu continuava sendo atacado ferozmente, então, consegui ouvir os passos de Adryelle, então armei um soco na direção do som, pude ouvir e sentir sua voz perto de mim,

- Como você pôde me acertar? - Você não percebeu? Perguntei a ela, então ela percebeu que eu estava de olhos fechados, - Então foi assim! Devo admitir, nunca fui surpreendida desse jeito por alguém, e olhe que eu já matei muitos, alguns nem conseguiram me tocar. - Isso é só o começo!

-Agora você vai ver do que eu sou capaz! Avancei em direção a ela, usei toda minha velocidade, eu a atacava com vários socos, chutes, ela não conseguia ma acompanhar, Adryelle já estava furiosa, então sacou uma arma e começou a disparar, infelizmente dois tiros me acertaram, eu caí então ela se aproximou de mim ofegante, seus olhos refletiam todo ódio que ela sentia por mim naquela hora, a dor era insuportável, Adryelle começou a falar, - Não achei que você fosse capaz de me ferir tantas vezes! Que humilhação, eu uma matadora de elite, sendo afrontada por um reles novato, mas isso agora vai acabar, onde quer que eu dispare o próximo tiro? No seu coração, ou na sua cabeça? Eu já estava no meu limite, já tinha perdido muito sangue, eu já estava sedento, então sem pensar eu consegui dar-lhe uma rasteira, e Adryelle caiu no chão, então como eu já estava fora de mim, eu cravei meus caninos em seu pescoço e comecei a sugar seu sangue, minhas forças estavam voltando com o sangue dela, aos poucos eu podia ouvir os outros comentando a respeito do que estava acontecendo, - Ele a derrotou! - Incrível! Então ouvi a voz de Gerald e Miguel, - Realmente, eu não esperava que seu novo protegido fosse tão surpreendente, conseguiu derrotar Adryelle, - Eu já sabia qual seria o resultado, não se deve julgar um livro pela capa, então ambos foram surpreendidos por gritos desesperados, - Oh não! Ele não quer parar! Adryelle vai morrer se ele continuar! - Miguel faça algo por favor, disse Gerald, não deixe que seu pupilo caia em desgraça fazendo algo proibido aqui dentro, ainda sendo um novato, não deixe que ele sugue todo sangue, caso contrário sabe o que pode acontecer com ele! - Faça algo rápido! Miguel correu em nossa direção, ele me pedia para parar, mas eu não queria, eu não conseguia parar, - Desculpe Alexander, não me deixa outra opção, senti uma forte pancada na cabeça e desmaiei - Miguel, como ela está? Ela está bem? Aos poucos as vozes foram ficando cada vez mais distantes, até que cessaram.

Depois de algumas horas acordei numa cama, e outra pessoa estava lá, não era Miguel, era uma mulher, tinha cabelos negros e lisos, olhos escuros, parecida com Adryelle, então, ela se aproximou de mim e falou: - Como você está? - Eu estou bem, o que houve? Quem é você? - Calma! Uma pergunta de cada vez! Ela sorriu, - Me chamo Mary, sou amiga de Adryelle, assim que ela mencionou o nome dela fiquei espantado, - Não precisa se preocupar, eu não vou lhe fazer mal, Nós somos companheiras mas somos bem diferentes, - e Miguel onde está? - Ele está tratando de uns assuntos, mas logo estará aqui, - Mas e Adryelle? O que houve com ela? Assim que perguntei, Mary ficou com o semblante mais sério, parecia que era grave, - Por favor, me conte o que houve? - Você não se lembra do que fez? Agora eu estava muito preocupado, afinal eu havia perdido a consciência, não sabia o que havia acontecido, eu estava confuso, perguntei mais uma vez, - Por favor, fale! O que aconteceu? - Adryelle está gravemente ferida, - O que? M... Mas como? O que houve? - Mesmo que queira você não vai se lembrar, mas tudo bem Mary, eu me encarrego de contar a ele, era Miguel que havia chegado, Mary se curvou diante dele, - Com sua licença senhor Miguel eu me retiro, - Sim pode ir, disse Miguel, com um tom ríspido. Ele olhou para mim, com um olhar que parecia enxergar até minha alma, - Você tem ideia do que estava fazendo naquela hora? - N... Não, - O que aconteceu?

- Você quase sugou a alma de Adryelle para dentro de você, isso é extremamente proibido, na não ser que sejamos autorizados a fazê-lo, esse é seu ponto fraco, se numa luta perder muito sangue, você entra num estado de loucura, não se distingue aliados de inimigos, ali você estava travando uma luta feroz com o espírito dela, se tivesse continuado ela teria sucumbido, - Mas como ela está? - Ela está fora de perigo felizmente, mas agora temos coisas mais importantes para fazer, está na hora de levá-lo até o conselho, eles também já sabem do ocorrido, torça para que eles estejam de bom humor. Eu agora estava nas mãos dos membros do conselho, Miguel havia me explicado sobre o que eu estava fazendo com Adryelle, e que se ele não tivesse me parado ele também sofreria as consequências dos meus atos, pois, ele era responsável por mim, assim como Adryelle era responsável por Mary, à medida que nos aproximávamos eu sentia calafrios, então, chegamos na entrada, era uma imensa porta de madeira, muito bem trabalhada, com detalhes em ouro, nunca tinha visto algo parecido, logo que entramos havia uma mesa enorme e em volta dela vários vampiros, eu podia sentir no ar o quão eles eram poderosos, qualquer um daquela mesa poderia acabar comigo num piscar de olhos, tentei esboçar alguma calma, mas era impossível, então Miguel sentou-se, eu fiquei de pé, então, um deles me dirigiu a palavra, - Seja bem vindo Alexander! Era uma voz grave, imponente, ele tinha cabelos longos, estava sentado mais ao centro, Ele se apresentou com o nome de Armand Beau Pré, usava um sobretudo, tinha um ar sereno, mas mesmo assim parecia ser extremamente forte, - Vamos, sente-se, ele fez um leve gesto com sua mão e uma cadeira veio até mim para que eu me sentasse, então ele se dirigiu a Miguel, - Então ele é seu novo pupilo, não acha muito cedo trazê-lo para cá? - Miguel parecia meio perturbado com a pergunta, mas respondeu: - Eu acho que não me precipitei senhor Armand, creio que Alexander seja uma aquisição valiosa para nós, afinal mesmo sendo uma "criança" derrotou Adryelle sem usar armas, todos os outros ao redor da mesa começaram a cochichar entre si, - Ele derrotou Adryelle? - Impossível! - Como pode ser? Todos se viraram para mim, Armand Tomou a palavra mais uma vez, - Sim, é verdade que ele a derrotou, mas em seguida tentou matá-la! Todos então começaram a me olhar com tremendo desdém, começaram a discutir, Miguel então disse a Armand, - Isso foi um episódio isolado, pelo menos ele pode ser detido, e Adryelle está bem, - Mas o que leva você Miguel, a trazer um novato para esse conselho? - Eu acho que ele tem muito a oferecer para todos nós, eu o treinarei mais, eu o deixarei mais rápido, eu o tornarei mais forte, e mais letal!

- Mas com que objetivo pretende fazer isso Miguel, era outro vampiro que havia perguntado, esse era Loiro, tinha os olhos azuis, e atendia pelo nome de Danov, eu o encarei naquele momento, então era ele que aqueles quatro iam se encontrar, eu pensei em falar mas deduzi que não era hora para isso então, Miguel disse a Armand, - Aqui nesse conselho, temos um traidor, que está fornecendo informações para nossos rivais e também para os Magos! Todos ficaram paralisados ao saberem desse fato, até Armand que parecia impassível, ficou atônito, - Tem certeza disso Miguel? É uma acusação muito grave! - Tenho certeza senhores, mas no momento não tenho provas, - Então de que adianta, criar esse alvoroço todo se não temos provas? Disse Danov, com certo sarcasmo, - Eu ainda terei provas, podem ter certeza disso, senhor Armand, eu peço que me deixe cuidar disso, - Tem certeza disso Miguel? Disse Armand, - Tenho sim, e para isso, vou treinar Alexander e para isso preciso que eu leve mais duas pessoas? - E quem seriam elas? Disse Armand com certa Curiosidade, - Elas são Adryelle e Mary!

Armand ficou surpreso com o anuncio de Miguel, então Danov tentado o provocar disse: - Quer treinar seu pupilo com a ajuda de nossas melhores matadoras? Você deposita muita confiança nele, tomara que não o mate antes hahahaha, Danov deu uma gargalhada sinistra, então Miguel apenas disse: - Se ele tem que aprender, a se defender que seja da maneira certa! Todos se calaram, Armand então concedeu esse pedido a Miguel, - Elas podem ir com você, espero que possamos contar com Alexander, afinal ele será treinado por vocês três, assim que Adryelle estiver recuperada eu a enviarei, por hora pode levar Mary com você, - Muito obrigado senhor Armand, então nos levantamos e saímos da sala, - Não fique preocupado Alexander, afinal será treinado por nós três, - Não é isso que me preocupa, Eu fiz o que fiz com Adryelle, ela durante treinamento pode querer se vingar, - Ah isso com certeza, sugiro que tenha cuidado com ela, viu do que ela é capaz, mas você pode se tornar mais forte tenha uma coisa sempre em mente, "Fique perto de seus amigos e mais perto ainda de seus inimigos", Nunca imaginei que essa frase faria sentido ao pé da letra.

Na noite recebemos a visita de Mary, Miguel a recebeu muito bem, ela tinha um rosto meigo, mas Miguel havia me dito que por baixo daquele rosto aparentemente inocente, estava uma caçadora cruel assim como Adryelle, após uma breve conversa, Miguel nos levou para um porão em sua casa, era bem grande, lá ele disse que teríamos especo de sobra para nós quatro, e de fato havia mesmo, então Miguel disse: - Alexander você vai enfrentar Mary numa luta corpo a corpo tudo bem? Você terá que ser bem mais rápido ágil e letal para fazer parte de nossas missões, afinal de contas, nossos inimigos não são apenas outros vampiros, - espere um pouco! Quer dizer que nessa cidade também existem outras "criaturas" que não são vampiros? Miguel e Mary Deram boas risadas com minha "tola" pergunta, - Claro que não, além de vampiros, existem Magos, Lobisomens, e até alguns Imortais, - Isso é alguma brincadeira não é? Não estão falando sério... Estão? Senti meu corpo todo estremecer, - antes fosse brincadeira meu amigo, disse Mary com uma expressão mais séria, - Estamos sempre ameaçados por outros vampiros, magos, e todo tipo de criaturas, não estou dizendo isso para te assustar, mas sim para alertá-lo, assim como nós eles se escondem no meio dos humanos que também os ajudam, por isso, Miguel escolheu você, nós vampiros não transformamos ninguém por acaso, sempre existe uma razão, e o motivo por você ter sido transformado é que você tem grande força de vontade, é persistente, sempre eu o observava, com o devido tempo você vai entender.

- Bom, Alexander, está pronto para começar o treinamento? - Sim, E você Mary, está pronta? - Sim Senhor, então comecem!

Mary partiu para cima de mim com uma velocidade incrível, muito maior que a minha, ela desferiu vários socos e chutes, eu mal conseguia me defender, Miguel assistia a tudo de camarote, Então, eu usei toda a minha velocidade para tentar atingi-la, aos poucos fui começando a acompanhar seus movimentos, consegui acertar um soco em seu abdômen, então ela pegou meu braço e me deu u chute no ombro, Mary disse: - Golpe perfeito Alexander, até que você não é dos piores! Mary Sorriu, - E você também, não é a toa que merece o título de caçadora de elite junto com Adryelle, então a luta recomeçou, várias horas se passaram, eu e Mary estávamos dando tudo de nós, Miguel estava muito satisfeito em me ver daquele jeito, lutando a sério, então ele interrompeu a luta; - Muito bem, por enquanto chega, vocês dois merecem descanso, fiquem a vontade, vou trazer "algo" para bebermos, - Você lutou muito bem, agora sei porque Miguel o escolheu. Passaram-se meia hora que Miguel foi até La em cima e não havia voltado, comentei com Mary, - O que será que aconteceu? Ele já deveria estar aqui, - Tem razão, o que houve? Então ouvimos um barulho e um grito de dor, AAAAAAAARRRRRRRGGHHHHHHH! - Miguel! - O que terá acontecido? Exclamou Mary aterrorizada, - O que será que aconteceu?

Quando chegamos na sala só havia sangue pelo chão e a porta havia sido arrombada, - Quem poderia ter feito isso? Mary estava visivelmente abalada, quando olhei para o chão havia um bilhete, nós o abrimos, e para nosso infortúnio, Miguel Havia sido raptado, mas por quem? Mary pegou o bilhete e havia somente uma frase "Um dia da caça, o outro do caçador", - Mas o que significa isso Alexander? Você sabe do que se trata? - Bem... Eu não posso adiantar nada, tudo o que eu sei é que na noite em que Miguel me encontrou, ele havia matado quatro vampiros, e eles diziam que iriam ver o tal Danov, Mary ficou surpresa ao saber disso, ela parecia muito chocada com o que acabara de ouvir, ela parecia não acreditar que um vampiro tão poderoso como Miguel não poderia ter sido tão facilmente raptado dessa maneira, então ela pegou o celular e ligou para Armand, - O que aconteceu Mary? Disse Armand do outro lado da linha, Mary havia colocado no Viva voz, estamos com problemas, Miguel foi sequestrado! - O que você está dizendo? Quando isso aconteceu? Foi agora a pouco, tudo que eu e Alexander achamos foi um bilhete que estava escrito Um dia da caça o outro do caçador, faz algum sentido? Mary cada vez mais aflita perguntou a Armand, isso faz algum sentido? - Não, minha cara, infelizmente essas palavras não fazem sentido, - não poderia ter sido outro vampiro? Perguntei a Armand, - Não, mesmo nós vampiros temos regras que se estivermos na casa ou nos arredores pertencentes a um de nós, não podemos fazer nada, temos que respeitá-lo até se ele for nosso pior inimigo, - Eu não sabia disso, Miguel nunca havia comentado, - Ele não teve tempo, disse Mary com a voz triste, - Mary traga Alexander até aqui, temos que nos preparar, afinal estamos sem um de nossos mais poderosos guerreiros, bom já sabe o que deve fazer não sabe? - Sim senhor, Mary desligou o celular virou-se para mim e disse: - A partir de agora, você é responsável por todas as posses de Miguel, enfim todos os seus recursos, contatos, todas as suas posses, se tiver alguma pergunta deixe-a para depois, agora temos que ir para uma reunião do conselho, - Tudo bem, antes de sair Mary me pediu para fechar todas as portas e janelas, ela me disse que era perigoso para nós ficarmos nessa cidade, então mandou que eu pegasse o carro e levasse dinheiro, armas etc. A partir de agora eu teria que tomar conta de tudo que pertencia ao meu mentor, mas tinha certeza de que isso era temporariamente, e que logo o encontraríamos, e eu estava disposto a achá-lo custe o que custar!

- Já estávamos no conselho, Armand se dirigiu a mim, - Mary já deve ter lhe dito que tudo que pertencia a Miguel agora é seu, - Sim, mas e agora? Qual é o próximo passo? - Vamos formar grupos para procurar por Miguel, mas esteja ciente de uma coisa, ele não se encontra mais nessa cidade, - Mas como? Perguntei com um ar de espanto, - Bom, enquanto você estava vindo para cá com Mary nós nos antecipamos e procuramos saber através de nossos agentes que estão infiltrados nos grupos rivais e nenhum deles disse ter visto nenhum prisioneiro, então só nos resta procurar nas cidades próximas, um grupo já foi mandado para Divinópolis e adjacências, você e Mary irão para a capital, ficarão numa cobertura no centro da cidade, devem começar a fazer as buscas por lá entenderam? - Mas vamos somente eu e ela? Eu estava preocupado afinal quem capturou Miguel não deveria ser qualquer um, Armand sorriu e disse: - Não se preocupe, eu estarei enviando mais dois membros para os ajudarem, eu já me sentia mais aliviado, Mary era do mesmo nível que Adryelle, eu me perguntava se ela estaria bem, Mary dirigiu-se a Armand, senhor, então quando iremos partir? - Sugiro que partam amanhã, fiquem aqui por enquanto, leve Alexander com você, - sim, disse Mary, nos dirigimos para sua casa, cada um em seu carro, ela morava em uma casa bem luxuosa, - bem, você fica no quarto de hóspedes, e partiremos as 20:00, tudo bem? - Certo, então me dirigi para o quarto de hóspedes que era bem confortável, mal eu havia colocado minhas coisas no chão e Mary me chamou, ela tinha um sorriso nos lábios e trazia em suas mãos duas Katanas, - Para que isso? Perguntei a ela com certo espanto, - antes de partirmos quero te ensinar a pelo menos manejar uma espada, como pude observar, você é muito rápido, e com uma dessas pode lhe ser bastante útil não acha? - Concordo, mas onde iremos praticar? Aqui mesmo? - Mary sorriu e disse: - Não, venha comigo, tenho um uma arena só minha em baixo de minha casa, as vezes é melhor treinar acompanhada, eu sorri para ela, e nos dirigimos para a arena, eu não fazia a mínima ideia de como manejar uma espada, mais uma vez eu teria que dar tudo de mim, apesar de Mary ser gentil eu tinha certeza de que ela não iria "pegar leve" comigo, e eu também não queria isso, afinal os inimigos não iriam fazer tamanha gentileza. Passaram-se várias horas desde que entramos, Mary era absolutamente letal com aquela espada, sinceramente eu periferia enfrentar uma arma de fogo do que sua lâmina numa luta, a arena de Mary bloqueava os raios de sol, treinamos horas a fio, quando paramos, eu estava simplesmente exausto e com vários ferimentos, mas Mary, não foi muito afetada por meus ataques, mas Ela havia me dito que eu melhorei bastante, desde a última vez, então paramos com o treino e nos recolhemos para repor as energias, afinal, a viagem seria cansativa e não sabíamos o que nos aguardava, na noite seguinte tudo estava pronto, Quando estávamos de saída ouvi uma voz atrás de mim, - Da próxima vez, vou dar tudo de mim! Era Adryelle, estava totalmente recuperada, nunca pensei que eu veria aquela cena, Adryelle estava sorrindo para mim! E assim que Mary a viu ela correu para os seus braços, ela vibrava de tanta felicidade, e logo atrás dela estava uma outra pessoa, tinha cabelos loiros, olhos azuis, vestia um sobretudo, ele se aproximou de mim e se apresentou, - Muito prazer Alexander, eu me chamo Aleph, vou ajudar vocês nessa busca por Miguel, ele tinha uma feição bem gentil, mas eu não sei bem porque, alguma coisa nele me incomodava, só não sabia o que, então Mary nos chamou, - Muito bem, vamos partir agora, Aleph vá com Alexander, Adryelle vem comigo!, Agora estávamos de partida para a capital, uma nova e perigosa busca acabou de começar! No caminho para a capital, Aleph, falava pouco ou quase nada, havia alguma coisa nele que... não sei como explicar, me causava uma certa antipatia por sua pessoa, ele parecia sempre querer ser superior em tudo que falava, parecia falar algumas coisas só para me irritar, eu não, ligava muito para ele, prestava atenção na estrada, por sorte havia poucos carros na estrada e pude ir mais rápido, como eu não sabia direito o caminho, O carro de Adryelle passou a frente para me guiar para o apartamento de Miguel, depois de muito tempo na estrada finalmente chegamos, - Ah finalmente estamos num lugar mais seguro, disse Adryelle, ela assim como Mary não tinha muita simpatia por Aleph, andava muito bem vestido, usava um terno, os sapatos impecavelmente engraxados. - Bom qual é o próximo passo Mary? Perguntou Aleph, com um certo ar de desprezo, - Bom agora, vamos nos preparar para amanhã, nós vamos até o parque municipal para nos encontrarmos com nossos aliados, eu fiquei surpreso, não sabia que também haviam "gente" como nós aqui, como eu era ignorante, era até deprimente, mas como dizem por aí, "quanto menos se sabe melhor é." Então já que estamos aqui, vou aproveitar para deixá-los aqui e ir embora, disse Aleph para nosso espanto e um certo "Alívio", - Mas por que isso? Perguntei a ele, - Eu não lhe devo explicações seu brutamonte,

- o que você disse? - Sugiro que você não o deixe nervoso Aleph, disse Adryelle, com frieza, - Por que deveria me preocupar? - Ele não seria páreo para mim, cada vez mais eu me enfurecia, já não suportava mais aquele "fresco" cheio de não me toques ficar me insultando, mas quando eu iria investir contra ele Mary me segurou e disse: - Não faça isso, ele só quer um motivo para que você faça isso, não lhe dê ouvidos, então Aleph disse que iria embora, mas seu pupilo iria vir para cá para nos dar "assistência", vindo dele não poderia ser nada que prestasse, pensei comigo mesmo.

- Espero que possam receber Nickolas tão bem quanto me receberam aqui Meus caros, disse Aleph, assim que ele saiu, - Quem ele pensa que é para ficar me humilhando daquele jeito? Eu estava muito irritado, - Calma Alexander! , disse Adryelle, pelo menos aquele estrangeiro ridículo se foi, - Estrangeiro? De onde veio aquele esnobe? Perguntou Mary, então Adryelle nos disse que ele tinha vindo da França, ele faz parte do conselho e sempre viaja para manter contato com outros conselhos, enfim, saber o que acontece nesse mundo em constante mudança, pois, assim como o mundo dos humanos muda radicalmente, nosso mundo paralelo também não é diferente, sempre temos várias baixas, tanto do nosso lado como no lado rival, também sempre estão criando mais "crianças" da noite, para suprir algumas baixas, mas com certo cuidado, afinal, aqueles que criamos são de nossa inteira responsabilidade. - Bom, acho que é isso, e agora vamos nos preparar para amanhã, - Tudo bem, concordei com Adryelle, então fomos fazer nossos preparativos para irmos até o parque municipal, Já na noite seguinte quando estávamos indo para o carro nos deparamos com dois indivíduos, um usava uma jaqueta preta e calça jeans, e o outro tinha o mesmo jeito do Aleph, - Então chegaram! Disse Mary, - É chegamos a tempo para acompanhá-los, eu me aproximei deles, o de jaqueta se dirigiu a mim, - Então você é o tal Alexander? - Isso depende quem quer saber? - Meu nome é Carlos, eu fiquei sabendo da luta que você teve com Adryelle e tive vontade de te conhecer, - sendo assim, muito prazer Carlos, - E então já se conheceram e agora podemos ir? - Disse o outro com certa impaciência, - Calma já estamos indo! Disse Mary, ele tinha o mesmo jeito esnobe do tal Aleph, então aquele era o seu pupilo, - Bom já que os outros me conhecem eu vou me apresentar a você mesmo que não queira, eu me chamo Nickolas Kreeve, sou pupilo de Aleph, eu não suportava o jeito daquele playboizinho, ele me irritava, e agora ele iria fazer parte do grupo, sinceramente, não sei como isso poderia ficar pior!

Já não havia mais nada a ser feito, o grupo já estava formado, e estávamos nos dirigindo para o local, no caminho, Carlos começou a puxar conversa comigo, - Esse é um belo carro! Ele é seu? Perguntou com bastante entusiasmo, - É sim, meu mentor me presenteou com ele, Carlos demonstrou uma certa "inveja" e disse: - Você tem sorte mesmo, eu nunca fui presenteado assim pelo meu mentor, se eu não me virar, o problema é todo meu, então Nickolas falou: - Ora, se ele teve esse privilégio, é porque ele deve ser especial para o mentor dele, não é mesmo Carlos? Mas também tem um, porém, "O que vem fácil vai fácil"! Depois de ter dito isso, ele deu um sorriso bem forçado, olhando para mim, aquilo simplesmente quase me fez dar-lhe um soco bem no meio de sua cara, como uma pessoa pode ser tão inconveniente! Mas também sendo aprendiz de Aleph, não era de se esperar menos, quando estávamos chegando perto do local, uma coisa estranha estava acontecendo, o céu que outrora estava estrelado, começava a se encher de densas e escuras nuvens, isso não era comum, o que será que estava havendo? Eu assim como Carlos e Nickolas estávamos apreensivos logo mais a frente o carro de Adryelle, parou, eu também decidi parar, fui à direção das duas e perguntei a Adryelle o que estava havendo. - Adryelle! Mas afinal, o que significa tudo isso? - Eu não sei, mas de uma coisa estou certa, estamos com problemas, Isso é obra de um vampiro qualquer, senti um imenso pavor tomando conta de mim, como um vampiro poderia controlar o tempo dessa maneira? Então me virei para Mary, ela estava em pânico, - Mary, você sabe quem pode estar por trás disso? - N... Não, sei ao certo, mas ele é muito forte! Nunca vi nada igual, ele não é um dos nossos aliados, de repente fomos surpreendidos por um raio que caiu em uma arvore que estava próxima, - Cuidado! Gritou Carlos, conseguimos escapar, mas o carro de Adryelle ficou debaixo da árvore, - Nickolas Estava atônito, afinal nós nunca tínhamos visto algo parecido, Mary sugeriu que fossemos para um local mais seguro, então deixamos o carro ali mesmo, afinal éramos um alvo fácil no meio de tantas árvores, por sorte havia uma lanchonete aberta, fomos na direção dela, e mais um raio caiu, parecia que os raios estavam sendo controlados, esse caiu bem próximo à Lanchonete, entramos e fechamos a porta, para nossa surpresa, ela estava vazia, não tinha ninguém, então Mary olhou para o fundo da lanchonete e viu um homem de cabelos negros e compridos, - Então era você! Disse Mary com a voz trêmula, - Sim, fui eu quem trouxe vocês para cá, - Com qual propósito meu caro, posso saber? Disse Nickolas com uma certa arrogância, - Bom, em primeiro lugar eu não lhe devo satisfações, seu burocrata de uma figa, você pelo jeito é amigo do Aleph, vejo que também só tem pose, agora vocês por outro lado, o homem se virou para mim e Carlos, seus olhos não tinham expressão de ódio, mas mesmo assim era aterrorizante, juntei alguma coragem e perguntei a ele: - Por que tudo isso, você é um inimigo ou o que? Adryelle e Mary, estavam muito apreensivas, nunca passou pela minha cabeça ver Adryelle tão nervosa e sem ação, então o misterioso homem olhou para mim como se estivesse vendo o fundo da minha alma, - Respondendo sua pergunta, eu posso tanto ser seu aliado como seu pior inimigo, isso cabe a mim decidir, mas no momento não quero ser seu inimigo, enquanto conversávamos, Carlos avançou na direção dele, Carlos Naaaaaaaão! Carlos também tinha garras assim como Adryelle, Ele investiu contra o homem, que com uma rapidez enorme sacou uma adaga e perfurou o ventre de Carlos, aaaaaaaarrrrrrrrrgggggghhhhhhhh!!!! Ele soltou um grito que ecoou por todo o recinto, Mary e Adryelle foram em direção a Carlos para ajudá-lo, então o homem se virou para mim novamente com a mesma calma e disse: - Continuando nossa conversa, meu caro, eu olhava para Carlos e vi a adaga cravada em seu corpo, - ah não se preocupe, ele não vai morrer por causa disso! Hahahahahahahaha! Adryelle serrou os dentes para ele, parecia que ela teria alguma empatia por Carlos, - Como pode rir numa situação dessas? Por que fez isso? - Se você não se lembra minha linda jovem, foi seu amiguinho que me atacou primeiro, e se eu fosse você não tentaria tirar a adaga do corpo dele, é melhor deixar eu fazer isso, agora por favor, deixem que eu me apresente, quando dei por mim, Mary também estava se preparando para investir contra ele, - Não faça isso, deixe que ele fale, eu não quero que se machuque, Mary felizmente me ouviu e não cometeu a mesma loucura que Carlos, - Muito bem! Pelo visto temos uma pessoa sensata no nosso meio, não é à toa que Miguel o estima tanto! Eu fiquei muito surpreso, como ele conhecia Miguel? Cada vez mais muitas perguntas, e poucas ou nenhumas respostas...

Cada vez mais aquele homem me intrigava, afinal, será que ele também era amigo de Miguel ou estava por trás de seu desaparecimento?

- Meu nome é Claudio, faço parte do conselho dessa cidade, não desejo brigar com nenhum de vocês, como Miguel deve ter lhe contado devem se apresentar ao conselho daqui se quiserem ficar pois, se caso não forem eu e meus amigos teremos que tomar algumas providências que acredito eu não serão nada agradáveis, - Mas e quanto ao Carlos? Perguntou Adryelle, segurando-o, - Mas como sou esquecido! Por favor minha cara, peço desculpas, Claudio se dirigiu a Carlos que estava com aquela adaga cravada em seu ventre, assim que foi removida, Carlos voltou a si, Adryelle sorriu aliviada. Logo que recobrou a consciência, Carlos levou um enorme susto ao ver Claudio, então Adryelle o conteve, - Pare Carlos, afinal, foi ele quem o salvou! - Mas por que ele fez isso comigo? Quero uma explicação! Então eu me dirigi a Carlos e disse: - Bom, a explicação é a seguinte, ele revidou porque foi atacado, agora eu lhe pergunto, se fosse o contrário, se Claudio investisse contra você sem qualquer motivo, o que faria? Ficaria parado? Ou sua reação seria revidar a investida? Carlos olhou para mim com cara de poucos amigos, por mais que ele estivesse com raiva de mim, no fundo, ele sabia que eu estava certo, Claudio sorriu, - Sua língua é afiada meu jovem, eu não encontraria explicação melhor, hahahahaha. Adryelle e Mary pareciam não simpatizar com Claudio, então me dirigi a elas, - Bom sugiro que façamos o que Claudio disse, afinal, aqui é o território deles, o que me diz Nickolas? - E... Eu concordo, não entendi porque ele estava tão assustado, Nickolas se aproximou, queria falar comigo em particular antes de irmos, - Não dê ouvidos a ele! Claudio pode ser um inimigo! Eu não ousaria fazer isso, vimos o que ele é capaz de fazer, vamos sair daqui! - Por que está assim? Está com medo? O que Aleph diria se o visse agindo assim? - Eu acho que ele iria ficar muito desapontado com você garoto! Disse Claudio, como ele conseguiu ouvir nossa conversa? Parecia impossível, mas Claudio ouvira cada frase, e com isso, Nickolas ficou ainda mais perturbado, não só ele mas também todos os demais, confesso que eu não queria tê-lo como nosso inimigo, sugeri ao grupo que fôssemos com ele, não nos restava alternativa, então nos dirigimos a saída, Claudio chamou Adryelle e Mary para irem no seu carro, Nickolas e Carlos foram no meu, afinal o Carro de Adryelle havia sido esmagado pela árvore, nos dirigimos para o local onde ficava o conselho, logo que chagamos, me surpreendi com o tamanho do local, era muito maior! Carlos e Nickolas não disseram uma única palavra durante o trajeto, mas estavam inquietos, estacionamos o carro, imediatamente apareceu um homem que disse ser o manobrista, - Sejam bem vindos senhores, por gentileza, deixe-me estacionar seu carro, - sim... Claro, A localização era extremamente privilegiada, ficava num bairro de classe média Alta, Adryelle e Mary ficaram maravilhadas com tanto luxo e Glamour, Claudio começou a subir as escadas, Carlos e Nickolas estavam apreensivos demais, me aproximei deles, - mas o que há com vocês? Por que estão assim? Nickolas arrogante como sempre disse: - Você não sabe o que tem lá dentro, e mesmo assim vai entrar? E se for uma emboscada? Já pensou nisso? Está apaixonado por seu mentor ou o que para se arriscar assim? - Não é nada disso! Eu apenas o respeito, e quero saber o que houve, tenho certeza de que ele faria o mesmo. Carlos virou-se para mim e rebateu: - Você não conhece esse mundo novo no qual entrou, acha realmente que seu mentor se importaria ao ponto de se arriscar assim para salvar alguém? Não existe lealdade entre vampiros, você está querendo se matar? Se estiver eu não estou, eu não faria isso por alguém que cravou seus caninos em mim e me transformou, - Carlos, você está me irritando, sugiro que pare com essas insinuações, não percebeu onde estamos? E o pior, está falando para que todos ouçam! Imagine essa situação, já pensou se seu mentor estivesse aqui?

O que acha que ele diria? Meus nervos já estavam a flor da pele, não suportava que dissessem essas coisas de Miguel, a pessoa que me ensinara tudo o que sei, pelo menos o pouco que sei, então uma voz atrás de mim se dirigiu a Carlos, - Então, se eu estivesse em apuros, você não iria mover um dedo não é? Carlos se afastou com um imenso pavor, seu mentor havia ouvido tudo, Carlos tentava se explicar, - Meu senhor... E... Eu... Não queria dizer isso, eu... Apenas, - SILÊNCIO!!! Aprendiz infiel! Nunca imaginei ouvir tal coisa de você, eu lhe tirei das ruas, lhe dei o presente da imortalidade e é assim que me retribui? Carlos ainda tentava encontrar palavras para amenizar o estrago, mas seu mentor estava irredutível, - Entre agora, quero ter uma conversa com você, venha também Adryelle, - M... Mas senhor, eu não..., Eu disse para os dois me acompanharem! Carlos e Adryelle, o seguiram cabes baixos, Nickolas estava atônito, sem saber o que dizer, me dirigi a ele, - Ouça, se caímos em uma armadilha ou não é melhor entrarmos, Já Houveram estragos demais para uma noite apenas, o que acha Mary? Vai entrar? Mary olhou para mim, uma lágrima saiu de seus olhos, com a voz trêmula ela concordou em entrar, logo que entramos fomos recebidos por um homem vestido de, sobretudo, cabelos negros e com um sorriso nos lábios, - Por favor, queiram entrar e fiquem à vontade. Mary ainda estava preocupada com Adryelle, as duas pareciam ser irmãs, então nós finalmente chegamos à sala de reuniões onde o chefe do conselho estava ele era loiro, tinha olhos verdes, usava um terno impecável, e óculos, - Sejam Bem Vindos, meu nome é Orlando Arnauld, por favor, sintam-se em casa, Nickolas quando o viu, o olhou dos pés a cabeça admirando cada centímetro de seu corpo, era quase como se Nickolas tivesse visto um ser acima de tudo e de todos, logo fez questão de se apresentar, - Muito prazer meu senhor, me chamo Nickolas Kreeve, estou honrado em conhecê-lo, é eu sei, disse Orlando com um certo desdém por ele, antes de irmos aos assuntos que os trouxeram até aqui, vamos esperar por seus amigos, Nickolas mais do que depressa disse: - Amigos? Eles não são meus amigos, veja minha classe e veja a dessa pessoa do meu lado, como pode achar que somos amigos?

Mary olhou para mim com uma expressão de "assim que sairmos daqui eu o MATO!" Orlando disse a Nickolas, sugiro que não fale assim deles afinal, não gosto que falem mal de meus convidados, sejam quem forem Nickolas deu dois passos para trás e virou-se, - Por favor, me desculpem..., eu falei demais, - Mesmo? Que coisa não, disse Mary, tremendo de raiva, Então Orlando pediu para que esperássemos na sala ao lado enquanto Carlos e Adryelle não chegavam, eu me perguntava, por que estavam demorando tanto?

Já estava ficando preocupado, quando de repente ouvi o grito de Carlos vindo da sala ao lado, - AAAAARRRRRRRGGGGGGHHHHHH! Por favor, meu senhor, me poupe!... Juro que não farei mais isso! ARGHH! Misericórdia! Mary também estava na sala e suplicava para que aquilo seja lá o que for parasse. - Naaaaaaaão! Por favor, faço qualquer coisa, mas poupe-o senhor Louis! Não faça isso! Misericórdia! Mary tapou os ouvidos, não queria mais ouvir as lamúrias vindas da sala, Nickolas estava paralisado de tanto pavor, então eu me dirigi para a porta, forcei a maçaneta, estava aberta, assim que entrei me deparei com uma cena realmente grotesca! Chocante, Nunca havia visto tanta maldade numa só pessoa...

Louis estava torturando Carlos que estava preso a Grilhões e com o corpo todo cortado, estava se esvaindo em sangue, o olhar de Louis refletia apenas ódio por ter ouvido aquelas palavras de seu "protegido", assim que nos viu ele parou e se dirigiu a mim, - Eu invejo Miguel por ter alguém como você que se dedica a procurar por ele, enquanto eu... Tenho um que quer acabar comigo na primeira oportunidade que surgir! - Arrghh! Carlos urrava de dor, quando percebi as garras de Louis estavam cravadas em sua barriga, - Eu tenho certeza que ele não quis dizer aquilo lá fora, dê mais uma chance a ele, Tentei amenizar a situação, mas Louis continuava irredutível,

- Não, ele deve pagar por tamanha audácia, eu dei a ele essa oportunidade a ele, lhe ensinei a lutar, lhe dei abrigo, e é assim que ele demonstra sua gratidão? Eu agora sou motivo de piada para esta casa, Carlos não passará desta noite! Louis estava realmente decidido a dar um fim a Carlos, Adryelle não dizia uma só palavra, Louis Disse a ela para sair, Mary e Adryelle ficaram horrorizadas com a crueldade de Louis, eu também estava, não imaginei que pudesse chegar a tanto, o pior é que fazia tempo que eu não me alimentava, e ao ver todo aquele sangue, comecei a ficar fora de mim, Louis se aproveitou dessa minha fraqueza, - Vejo que está com fome! Porque não se alimenta? Deixo Carlos para você, o que acha? Louis se aproximou de mim e falou perto de meus ouvidos, - pode sugar até a última gota! O que acha? Já provou o sangue de Adryelle uma vez, deve ter sentido a uma sensação inigualável, estou certo? - S... Sim, balbuciei, Eu via a expressão de pavor de Carlos, mal conseguia falar, apenas disse, - N... Não... Faça isso... Meu Senhor... Por favor... , Ora cale-se! Louis mais uma vez o golpeou com suas garras, quando as retirou o sangue veio em minha direção e atingiu meu rosto, eu já não aguentava mais, a proposta de Louis me pareceu muito tentadora naquela hora, ele se aproveitou de meu estado, aos poucos minha consciência estava abalada por meus instintos e isso se juntou a minha fome, Louis Fechou novamente as portas, - Vamos, o que está esperando? Faça-o! Eu o autorizo você não terá repreensão alguma, acabe com ele! Fui me aproximando de Carlos que tentava escapar dos grilhões, era um esforço inútil, Carlos tentava falar comigo, - Alexander, não faça o que ele diz, nós somos amigos, não somos? Não ceda, Já era tarde, minha fome era tanta que aquelas palavras já não faziam sentido para mim, quando me aproximei de Carlos, tudo o que foi ouvido em toda casa era o seu último grito de dor antes de sua morte final...

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