A Garganta da Serpente
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Metamorfose

(Pablo Ferreira de Souza)

Noite de Reveillon, noite de melancolia. Desde às quatro, relâmpagos atiram por entre as nuvens escuras, tramando uma cena ainda mais depressiva para minha solidão. Armas seriam apenas o meio. Um céu é rasgado pelo novo raio. Desejo. A mim seria tão mais confortável... Mas nesta noite não visto sorte! Não nesta noite decadente, escondida sob a esperança, em contagem regressiva, de felicidade.

Noite de Reveillon, noite de arrependimentos. Um velho arranha a garganta antes de cuspir-se na rua para sua festa de promessas repetidas - mas o que é o sonho senão o (des)compromisso em cumpri-lo? Um novo trovão de artifício se funde à noite: nesta hora eles têm fé e se abraçam.

Noite de Reveillon, noite de sensibilidade. O telefone toca uma chamada por engano: "ainda assim, feliz ano novo", e ,entorpecido, agradeço. Eles contam. Eu escrevo. E nossas vidas serão devoradas pelo mesmo verme otimista - Ele sim, me diz Cubas.

Noite de Reveillon, noite de superstições, de fraquezas, mas, ainda assim, inspiração. Eles contam. Eu escrevo. E a champanha é estourada, por fim. Nesta noite que se esconde como o meu dia. Meu novo dia de mudança. Meu primeiro novo dia de melancolia.

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