A Garganta da Serpente

Maju Costa

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Coisa de criança

(Maju Costa)

Brincou de pique com o irmão, o danado sempre escapando para o canavial, apanhou e chupou mangas caídas no chão, ficou um tempão conversando com suas amigas formigas, observando-as se prestando continência (ou seria se beijando ?) em seu vai e vem, escorregou pelo tronco liso da jabuticabeira, sua árvore predileta - que arrepios com o medo de cair, tão fácil subir, tão arriscado descer. Ai, que fome! Quero comer um pedaço de broa de milho! Mas não vou tomar banho agora não, quero brincar mais... Entrou na copa se escondendo um pouco, achando que a mãe cuidava do irmãozinho menor que chorava. Ouviu parte da conversa na cozinha entre a empregada e a mãe. Não conseguiu entender bem: o neném de D. Maria, mulher do Severino da horta, também é filho do papai? Como é que pode?... Esqueceu a broa. Nem percebeu a voz da mãe a perguntar-lhe que quer, minha filha? Correu para baixo das mangueiras. Deitou-se no chão. Foi esmagando uma a uma cada formiguinha que desfilava ante seus olhos.

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