A Garganta da Serpente
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A pintura

(Lorena Marques)

Sons suaves do roçar dos pinceis contra a tela em branco formavam uma sinfonia monótona, pouco a pouco essa monotonia ia desaparecendo e dando lugar ao um leque de cores pastel que formavam uma bela jovem, revestida das mais puras e belas sedas, com um lindo buquê de flores em seus braços, um rosto sério e infantil.

A moça Agustine se encontrava por trás da tela, seus olhos pequenos castanhos amendoados miravam fixamente o pintor. No entanto eles não apenas miravam como olhavam para a face do jovem com um deleite apaixonado, ele retribuía, e a cada pincelada na tela, além da tinta também ficava sua paixão. Longas horas, longos dias e longos meses a pintura nunca ficava pronta. Um simples retrato para um pintor tão experiente e requintado, toda a dificuldade de concluí-lo tinha nome: Agustine.

Mesmo obcecado pela jovem, o pintor foi obrigado a concluir o quadro, ele planejava durante a cerimônia de apresentação da obra pedir a mão da bela em casamento. Entretanto o destino foi irônico e fez mais um de seus jogos perversos com ele, durante a mesma cerimônia o comprador do quadro, Revien, pediu Agustine em casamento sendo o quadro o presente de noivado à moça. Ela triste e amargurada com lágrimas peroladas rolando sobre a face, lágrimas disfarçadas da mais pura emoção que continham a intocada tristeza, disse "Sim", o que podia fazer? Sua família já a havia vendido pelo dote do rapaz, era a única maneira de não ir à falência, e ela obedeceria.

O pintor, arrasado sumiu da cidade por uns tempos. Agustine casou-se com toda a pompa de uma princesa numa bela cerimônia, e foi morar numa rua escura e luxuosa da Inglaterra não muito longe da casa do seu amado pintor. Preferia-a ser uma camponesa pobre e poder esperar ansiosa seu pintor todas as noites àquela vida entre frias paredes, com joias, sedas, veludos franceses, e festas praticamente toda semana. Seu marido era bom para ela, se preocupava se estava em casa trancafiada só e somente, não lhe dava amor e também não era aquele amor que ela desejava e sim o do pintor.

Numa madrugada quando estava deitada insone, esperando seu marido voltar, ouviu ruídos estranhos na porta do quarto e pensou ser ele, levantou-se e foi abri-la, quão grande foi sua surpresa quando era seu pintor que estava ali, pediu a ela que se vestisse rápido e o acompanhasse, ela assim o fez. Uma simples carruagem os esperavam ela entrou e eles fugiram, foram morar nos campos férteis e verdes.

O pintor continuou a pintar e vários dos seus quadros eram para sua amada Agustine e assim começa outra história em suas vidas.

Era uma vez um pintor e sua esposa...



"Para tudo se tem uma segunda chance"

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