A Garganta da Serpente
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A última vez

(Jô Oliveira)

- Você sempre faz isso! Mesmo sabendo que me magoa...

- Cláudio, foi você mesmo que propôs que nós abríssemos o nosso relacionamento. Você não sabe o que quer!

- Eu sei perfeitamente o que eu quero. E definitivamente não é ir ao meu restaurante preferido e encontrar a minha mulher jantando com outro cara. Tanto restaurante nessa merda de cidade! Por que o que eu mais gosto?

- Ele que propôs.

- E você não sabe dizer não?

- Por que iria dizer não? Quem estava cansado e sem disposição pra sair hoje?

- Mudei de ideia, ora!

- E eu tenho bola de cristal? Desenvolvemos o poder de nos comunicarmos por telepatia?

Ele senta no sofá com a cabeça entre as mãos. Chora.

Ela se aproxima. Abraça-o.

- Eu não quero mais isso. Não assim.

- Então vem aqui que a gente faz de outro jeito.

Ela tira o vestido e se deita no chão. Está só de lingerie. Preta. Contrastando lindamente com a sua pele muito branca. Olha-o, provocante.

Ele a fita com um olhar sofrido. Apanha seu paletó no espaldar de uma cadeira próxima à sala. Bate a porta sem olhar para trás. E desce pelas escadas, desnorteado. Chora copiosamente, prometendo a si mesmo, pela décima quarta vez ser essa a última vez que ele tolerou as inconstâncias e perversões dela e que nunca mais a procurará. Nunca mais.

No dia seguinte, eles jantam juntos e apaixonados no mesmo restaurante de costume, o preferido dele:

- Que bom que você parou com aquela bobagem.

- Bobagem não... E saiba que foi a última vez. A última.

- Sim, claro. A última...

Ela sorri e dá-lhe um beijo.

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