A Garganta da Serpente
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Da arte de (des)fazer 500 anos

(Gildemar Pontes)

Quando os piolhos chegaram numa manhã de chuva, fincaram em mim aquela bandeira. Senti uma dor na areia da minha pele. Estranhos, vestidos com panos esquisitos, caminharam sobre meu corpo. Fediam, tinham hábitos horríveis.

Com o tempo, cortaram meus cabelos, quase fiquei pelado. Não satisfeitos, começaram a cavar buracos por todo canto, meu rosto, então, que estrago! Espetaram coisas em mim. Comecei a reagir no dia em que um punhado deles aportou na minha barriga para fazer morada. Eita magote de bicho sujo, mal educado! Quanto mais eles me depenavam mais eu fazia eles de besta.

Algumas vezes, esses hóspedes pareciam querer me destruir, outras vezes, arrependidos, tentavam rebocar minhas feridas.

Dia desses, uns piolhos mais estranhos ainda, tentaram me invadir. Os meus parasitas, coitados, com o chefe banana que tinham, não esboçaram nenhuma reação, deixaram foi os portões abertos. Hoje entra todo traste e leva o que quer de mim. Imagina quando eu tiver 1000 anos, já completamente desfigurado, sem pé nem cabeça... porra, prefiro uma bomba nuclear.

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