A Garganta da Serpente
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Jorges

(Eduardo Selga)

Lá fora, os caminhos noturnos. O que resta de Vale da Sombra. Temporal temporão. Do céu, mais um Dilúvio. Do Céu. Se o último, só Deus. Varrendo as coisas com a força duma tormenta. Morrem a dúzia e meia de sobreviventes que, desde o início das águas, ainda. Genocídio, portanto. Mais um no interminável ciclo humano que se repete o mesmo, o maior espetáculo da Terra. Fosse um Coliseu e seus cristãos dilacerados. Inobstante a cortina d'água e as ruas sepultadas pela escuridez, pela enchente, é possível distinguir um cavalo branco e, montado nele, alguém. Passeando tranquilos entre ruínas, esqueletos implorando socorro, e fantasmas boiando.

Desde as primeiras palavras e gestos durante a celebração, quase todos os fiéis percebem naquele sacerdote uma estranheza vaga. Meio sem fisionomia definida, ela. A princípio. Um comportamento não muito vaticano, como se estar imbuído das funções eclesiásticas lhe causasse urticárias no espírito. À medida que a missa peregrina por entre os bancos da catedral, e lá fora a tempestuosa noite, seu rosto pároco mostra um escárnio quase perfeitamente por ele camuflado na espessa floresta das palavras-evangelho. Constante a ironia, para quem sabe ler por baixo e além do verbo falado. Nalguns dos que interceptam a chacota, evidente constrangimento. Valha-me deusnossasenhora! Resultado, insurreição sem passeatas, muda, um engolir seco. Daí perguntações a si mesmos e aos vizinhos à esquerda, à direita... acordando os que ainda cegos. Você enxerga algumas expressões desaforadas que ele não as diz, mas gritam pelos olhos? É como muitos de nós sempre sustentamos desde quando este rapazinho assumiu a paróquia: inexperiente para anunciar os mistérios do Senhor. Olha, querida... longe de mim o fuxico ou a crucificação injusta, isso é para quem falta Jesus na alma, mas acho... Ai, dúvida dos infernos... Será que eu digo? Minha língua está coçando... Ah, vou falar! Pecadinho de nada... Se for! A mim ele me parece sem fé nas Escrituras. Veja: não quero fazer da pessoa dele nenhuma Madalena, porém...

Cavalo e cavaleiro sobem a escadaria, ferros de combate e a armadura. Impassíveis, tempestade nem houvesse. Ou não mais que chuvisco. Retira o elmo, um persignar-se. Mas não entram, ainda. Os olhos, par de sóis desnublados, fiscalizam o céu noturno e choroso. Ausentes as constelações e lua cheia, ainda que fosse minguada pelas nuvens. Por breves momentos uma dorzinha tão lâmina de espada quanto inexata: eu, nostalgia por estar há quilômetros e quilômetros de casa?! É o que me falta!... Dois sorrisos num só: o constrangimento e a certeza do ridículo. Saudade, agora, é luxo para o qual falta ambiente. A missão é importante demais para que vazios afetivos ocupem páginas em minha agenda. Afagos, carinhoso, no pescoço do animal. Apura os ouvidos. Ouça, meu amigo. Ouçamos o padre.

Às esgueiras como se pisassem campo minado, num acordo tácito entre senhoras e senhores, levantam-se. Primeiro um, depois outro, pés mudos os conduzem à porta, viram-se rumo ao altar, sinal-da-cruz, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, todo o respeito. É que a indignação, ao ouvir as palavras desconfortáveis do padre, fala alto. Mas o grito de rebeldia, questões de etiqueta, precisa mostrar-se silenciado. Inobstante o Dilúvio, melhor descobrir um caminho de volta para casa. E rezar diante do oratório doméstico mesmo, fazer o quê? Sorrateiramente, ir embora. Quase pé ante pé. Não querem a deselegância percebida. Nem por eles mesmos. Lá fora a Terra é água suficiente para lembrar a cada um dos fiéis o irrevogável: seus corpos cadáveres há tempos, desde quando a cidadezinha de Vale da Sombra ainda vivia no mapa. Tristes porque pretendiam a missa até ao fim. E respeitada, nas conformidades. Ora bolas, há um o roteiro sobre o qual todo padre deve ter domínio! Saúdam, afogados em formalismos, o cavaleiro. Em todos a sensação onde mesmo já vi este homem? Esvanecem aos poucos, enquanto vasculham, insistentes, a memória. Em busca. Que fosse um laivo, uma quase imagem! Ao menos conseguissem exumar alguns ossos de lembrança... Esta armadura... Este cavalo branco... Névoas no ar, subindo: eles. Retornam ao outro lado da vida, na esperança um dia o pároco mude a conduta ou seja substituído.

...Tomai todos e bebei. Cálice erguido, a liturgia. Santo entusiasmo... Sempre a mesma ladainha de sempre, enfadonha, aprendida de cor e salteado nos tempos seminários. Esmeraram-se os frades em mascarar-lhe as sombrias tintas do futuro que, sabiam muito bem, o aguardava como um vampiro espreita sua vítima: uma existência coalhada de proibições, celibato enlouquecedor, labirintos que conduzem, minuto após minuto, ao suicídio do espírito. Projetos íntimos, de tanto choro e frustração, se rasgam nos becos da vida, fossem papel-bíblia; se dilaceram nas encruzilhadas entre o bem e o mal, vendendo-se barato a uma realidade sem meios-termos. Dolorem, embolorando. Fraturas expostas. Como machucam estas hemorragias inestancáveis! Da nova e eterna aliança, que será derramado por vós... Mas os olhos opacos de tristezas não veem brilho na taça resplandecente, dourada, tampouco no sacrossanto conteúdo. Fazei isto em nome de mim... Gostaria ele o destino não o permanecesse condenado ao altar, essa mesa de sacrifícios; não o condenasse ao esgotamento sussurrar as mesmíssimas premissas nas missas postiças. Ao menos acreditasse, enxotadas as perguntas torturantes, nos decretos que elas, as palavras bentas, discursam!... Mas não... Raciocínio crítico, mesmo sem esforço encontra inconsistências no argumento supostamente divino. O que só faz nutrir sua natureza melancólica. O olhar murcho, por força de ofício centrado no cálice seguro com ambas as mãos um pouco acima do nível da cabeça, fazem dele um alheio aos arredores. Excessivamente algemado a si mesmo, a suas próprias clausuras, tantas interrogações existenciais. Não enxerga, ainda: os fiéis, todos, em pleno Dilúvio abandonaram a nave que ele norteia por oceanos desnorteados, no conceito da tripulação; a poucos metros, a enxurrada já galgando os degraus do templo; um cavaleiro, vestido como se na Idade Média, ocupa devagar o santuário com seu cavalo. Que é senhor dum silêncio absolutamente redondo, as patas fossem veludo. Rédea suave interrompe o passo em frente ao clérigo quase inerte. Ele e o cálice. Espírito devorado por uma necessidade imperatriz: sumir! E habitar um outro mundo, uma outra existência, talvez um jardim. Qualquer vida eremita em que nenhuma viva alma, o arcebispo tampouco, o encontrasse.

- Mostra-me a urna mortuária na qual armazenas teus pensamentos mais cinzas, semelhantes aos deste preciso minuto.

Razoável esperar ele se assustasse, ainda que pouco, com a pergunta repentina; que estranhasse a presença intrusa daquela figura, ali aparentemente fora do contexto. Mas não. Como se ninguém. Após desviar os olhos, antes afogados em seu próprio mundinho pau-a-pique, microcosmo mal traduzido naquele cálice ritualístico, percebe: a plateia abandonara o teatro. Minha interpretação do monólogo, imagino... Devo estar péssimo ator. Nada convincente. Tanto melhor. Abandono mais cedo meu corpo ao travesseiro. Para amanhã tudo voltar tal e qual. Os mesmíssimos roteiro, texto, cenário, rostos sentados nos bancos... Como em todos os dias de minhas vidas idênticas, Jorge! Ira súbita. Gesto áspero, atira longe a estola, esmurra o nada e... Súbita calma. Cumprimenta sereno o homem a cavalo, senta-se, costas apoiadas no mármore do púlpito, perna esquerda por cima da direita. Ainda segura o vinho que, abençoado, descansa em paz no o cálice.

- Dos meus pensamentos, ora veja, você quer saber. Entendo. Mas não precisava apear de sua residência, longínqua, somente para isso. Façamos assim: descanse da viagem. A distância entre mim e o seu mundo da lua é infinita. Aceite um trago, já que me concede a honra da ilustre visita. Afinal, parceiros desde a nossa primeira infância, em Capadócia. Você não era santo, eu não era padre. Mas sempre o seu velho catecismo... A propósito, ignoro encarnação em que você tenha me preservado de suas arengas... Lembra-se dalguma, porventura?

- Estás a ir para muito além dos mais extremos limites teus.

- Quem sabe? Refere-se à minha ironia ou ao fato deste reverendo que aqui estou ser mero personagem, nenhum centavo de mim? Você sabe... não de hoje empedrei. A fé, que sempre me irrigou pouco, é fonte seca.

- És demasiado inconveniente quando assim o queres...

- Peraltices do Criador, que me fez assim, imagem e semelhança. Reclama com Ele. Mas o importante é que o vinho, ao invés de mim, tem estilo. Não é daquelas zurrapas frequentes em missas doutros batinas. Beba uns goles. Vai adorar, prometo em nome Dele. É gostoso. O estado de graça em que se é lançado é divino. Sobre o púlpito, ao lado do ostensório, há uns salgadinhos. Meio insossos, mas na falta de coisa melhor... Claro, tivesse molho de pimenta...

- Hóstias, leviano! Refere-se a hóstias, não a aperitivos! Por ventura pensas estar nalguma taberna ordinária?...

- Ordinária? Não... Hóstias, é claro, o quê mais poderiam ser? Aceite meus aplausos a você pelo esplêndido talento dedutivo. Hóstias! Nunca mais me esquecerei, juro. Pelo resto de minha vida. Inclusive, estavam reservadas aos presentes à homilia. Que eu preparei com muita má vontade, redundância dizê-lo. Talvez por isso tenham ido embora. Aceite o petisco. Olha a desfeita... Papai do Céu fica triste... Vão sobrar mesmo... Ninguém lhe crucificará por isso. Prometo.

- A tua hora, Jorge. O prazo findou-se.

- Outra vez levar-me daqui na garupa do seu belíssimo ginete?! Acaso a existência é alguma trajetória orbital, repetitiva e incessante? O velho roteiro: em torno do sol o dragão do tempo baterá suas asas por mais anos às centenas e serei novamente jogado aqui, neste calabouço. Para roer o osso da vida. Ainda que eu proteste. Mesma igreja, mesmas beatas pedindo a Deus eu seja substituído... Por que vocês, magnificências do Paraíso, tão precários em matéria de originalidade? Chego a acreditar que eu, se você na esquina para saber se estou lá, eu evoluiria melhor. Portanto, vamos estancar essas reencarnações idênticas, que só me fazem ecoar ladainhas infinitamente.

- Levanta-te e anda. Sabes o motivo exato dos retornos sucessivos. Na vida em que finalizares tua obrigação a contento, quitar-se-á o débito.

- Jorge, meu santo... percebo, além da sua mesóclise barroca, nítida impaciência. Calma. Ninguém mais do que eu aguarda a chance de ir embora, largar esta igreja, este livro preto por meio do qual, as línguas devotas asseveram, a palavra do Senhor se expressa. Mas antes... brindemos. Saúde!

Bebe o vinho ritualístico, fosse água. Escorrem filetes do sangue de Cristo, simbolizado pela bebida, queixo e pescoço abaixo. Nódoas na batina. Súbito, a transmutação: sangue humano. Os músculos da face crispam-se, comprime os olhos, estranheza. Percebe a diferença no sabor, mas nem por isso renuncia a continuar bebendo. Arrotos e flatulências. É-lhe especialmente prazeroso ser grosseiro perante a armadura de Jorge. Ergue-se como quem desenha o tédio com o corpo, boceja, pega sobre o altar duas ou três hóstias, mastiga-as, desdém. A veste sacerdotal é sangue que não coagula, tivesse imolado um cordeiro.

- Vocês já estabeleceram a data para o retorno, a fim de que eu possa, mais uma vez, papagaiar à exaustão todo este teatrinho mamulengo? Santo Deus!... Eu e minha boca não somos um bom matrimônio... Ofendi sua santificada fé! Perdoai um miserável pecador, oh! Grande enviado do Altíssimo! Talvez melhor dissesse teatro de sombras? Entende duma vez por todas, Jorge: não creio nas palavras que repito (e eu repito, se você quiser), mecanismo programado para anestesiar o raciocínio. Por favor... não suporto mais. É-me impossível o conceito "divindade".

- Deveras? E com quem supões ter travado colóquios durante as vezes em que retornaste à vida imaterial, Jorge?

- Não gaste comigo seu latim rococó. Desperdício. Dialogamos eu e você... outros iluminados, vez por outra... E tantos mais, em situação igual ou pior que a minha. O importante, porém, é: Ele nunca me deu ouvidos, embora, no início, a ingenuidade é uma virgem que aguarda um príncipe encantado que não chega nunca... embora no início rogasse muito em minhas orações. Sinceras. Sentidas. Por isso desisti. Ficou-me nítido ter flagrado a inexistência Dele.

Ao término da frase, une e aperta as mãos, pretendesse rezar. Abaixa a cabeça, ordens de sua inseparável e tirânica agonia. Recompõe-se imediato, como houvesse um susto. Embaraçado perante a própria incoerência. Tudo isso é esperança inútil de enxugar as fontes das lágrimas que me afogam por dentro? Os olhos navegando indecisos: é possível esta luminosidade dos vitrais, apesar da noite chuvosa? Soturnos olhos pelo fato de a vida parecer navio fantasma, sem almirante meio a oceano amotinado, e prestes a arrebentar-se na primeira gangue de recifes que se fizer pedra no caminho. Por razões obscuras para ele, presume que o caos colorido formado por vitrais e altos-relevos encravados nas paredes e teto talvez possuam o condão de reconstruir sua alegria, perdida no labirinto dos tempos. Outra vez incoerente. É quando se percebe manso, apaziguado, quase um anjo de estirpe. Mas, seu espírito frágil, a cólera sempre toma posse. Nem mesmo ensaia exorcizar tamanha ira. Julga impossível a tarefa. Rende-se ao pecado capital. Com algum prazer, até.

- Não me venha com sua tagarelice cristã, Jorge! Tenho bom-senso. Recuso suas verdades preestabelecidas, imensuráveis! Sabe disso! Desde quando nos conhecemos, lá nos tempos de Capadócia, sabe disso. Entende: a tal salvação que você e os outros insistem em me oferecer, eu a dispenso solenemente! Preciso, sim, esclareçam o motivo pelo qual minha cruz é desmedida, tão dolorosa! Fui cristalino o bastante, meu santo?

A impaciência já manifesta vestígios. A vontade, reprimida Deus lá sabe como, é arrastá-lo pelos pés, tatuar com a bainha da espada uns hematomas em sua teima. Aprenderá algum dia este espírito esquerdo? Tantas as chances proporcionadas sem lograr êxito... Fatigante. Mesmo para mim, afeito às mais árduas demandas. Olha para seu ginete, amigo e confidente desde os tempos do imperador Diocleciano, em busca de ajuda.

- Permite-me sugestão, parceiro? Cá estou, meu costumeiro silêncio, ruminando cismas... Ferir de morte o Dragão do Mal, apesar dos inevitáveis renascimentos e julgar-se ainda mais invencível, é bem menos cansativo que este Jorge. Eu, você, renunciaríamos agora à missão. Inclusive porque... veja: as águas, elas já entraram para assumir a igreja. E a Terra, portanto. Estaremos submersos, por mais espíritos que sejamos, se a demora mostrar-se excessiva. Apesar de sua santidade. Ouve os badalos. A contagem regressiva chegará a zero não tarda, temos escassos minutos para domesticar tamanha resistência. Sei, sei... Não frequenta sua história e personalidade a fuga de batalhas. Mas... pese. Sem pretender ferir suas convicções, acredito talvez tenha chegada a hora de reavaliarmos procedimentos. Ora, ele é um naufrágio inevitável, assim me parece. Insistir? É fazer votos de bom-dia a cavalo. Em todos os apocalipses anteriores cá estivemos, a mesma relutância sempre, mas se dava por vencido muito antes de os sinos gritarem o fim. Hoje a história nos mostra uma face bem outra, além de não haver mais tempo.

Decisão tomada. Afaga, segura pelas rédeas o amigo que acabara de lhe dizer palavras lúcidas. Num impulso, pés no estribo. E a galope sobre as águas, vence o corredor aguado, as antigas ruas de Vale da Sombra, rumo ao satélite natural da Terra.

Boquiaberto, Jorge observa os dois saindo da igreja, atitude mesma que já haviam tomado bem antes os fiéis. Mas como?!... Foge ao roteiro! Palhaçada é esta? O personagem dele é sempre me levar pelas mãos ao mundo espiritual toda a vez em que o apocalipse mostra as garras! Eu só estava fazendo charme, é prazeroso dificultar um bocadinho. Não que acredite no Paraíso, mas sempre me rendo, Jorge sabe. Só queria ver até aonde o limite de sua paciência. Exagerei no brinquedo: meu divertimento engalopou, subiu ao Céu e talvez esteja sentado à direita do Pai. E agora? As tais escrituras estão certas e eu maldito para todo o sempre? Lancei às águas a chance de nascer outra vez? Adiantaria coisa nenhuma!... Apenas o ramerrão de me ver protagonista das mesmas cenas, na mesma igreja. O mesmo tudo. Eu não progrediria milímetro em caridade e noutros elevadíssimos atributos morais necessários para ver o rosto do Deus de Jorge. Como sempre. Meu destino resolveu chegar duma vez por todas, suponho.

Após as cortinas serem fechadas, algum hiato. Teias de aranha no tempo. Reaberto para o respeitável público que o preencherá, o Éden ficou assim constituído em suas mudanças profundamente superficiais: as novas reencarnações de Adão e Eva, ingenuidade nenhuma, principiaram a caminhar sobre a Terra como se a felicidade fosse vitalícia; a mesma Serpente aguardando a chance para o Dragão do Mal florir, e florindo plantar a fruta podre no Jardim. Um largo sorriso descarado, sem rosto exato. O cansaço permitisse o testemunho de Jorge e também do seu amigo, enxergariam nas bordas do Paraíso, quase caindo em Vale da Sombra, uma batina a conduzir pelas mãos alguém sem alma. Totalmente perdido, ininterpretável. Fora do mundo, tão alheio. Cabisbaixo, paralelo à margem dum lago, a lua admirando-se n'água. Talvez absorto em pensamentos. Ou talvez nem isso, tamanho o amargo cálice de angústia que, sabe, precisará beber. Dia menos dia. Dia após dia.

Durante alguns segundos a imagem de seu amigo Jorge montado no cavalo branco surge e ressurge na memória. Ri, mas chora, mas ri. Nem tudo perdido? Deus queira.

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  • Publicado em: 08/02/2008
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