A Garganta da Serpente
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(Edmilson Sanches)

Triiiim.

Triiiim.

- Pois não; meia nove meia três.

- Huuum, que chique! Quem está falando?

- Com quem você gostaria de falar?

- Quem está falando?

- Por gentileza, desculpe: foi você quem ligou, e certamente sabe com quem deseja falar.

- Ahhn... O Toni estaí?

- Não, não está. Gostaria de deixar recado?

- Quem é você?

- Até hoje não encontrei a resposta. Desculpe, não queria insistir: a senhorita (presumo que seja uma senhorita) gostaria de deixar nome, telefone ou recado para o Toni. Com certeza ele ligará para você.

- Sim... é... bem... Qual é seu nome?

- Você não disse o seu. Ademais, senhorita, estou muito ocupado agora...

- Mas você não pode me dizer seu nome?!

- ...e somente atendi o telefone por obrigação...

- Me diz seu nome!...

- e estou falando com você por educação, não por vontade.

- Puxa!

- Desculpe, senhorita; não quer mesmo deixar recado? Vou desligar. Como disse, estou muito ocupado.

- Você tem uma voz bonita!... O que está fazendo?

- Antes de atender o telefone, eu havia matado o Toni e estava terminando de esquartejá-lo. Passe bem, senhorita.

No enterro dos restos mortais de Toni, uma dúvida: devia-se abrir ou não o caixão para colocar nele um pedaço dos intestinos de Toni que um cachorro recém-aparecido teimava em não largar?

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