A Garganta da Serpente
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Quando é tarde demais

(Dani Sigaud)

Ela tinha lido muitos livros de arte. Ele era fanático por literatura e ela resolveu averiguar. "Querido, é incrível, mas a melhor definição de minimalismo que encontrei foi aqui no seu livro do Poe no conto Berenice". Já ele tinha encontrado nesse conto o sentido da paixão, olhar um ponto e não divagar, olho preso no ponto até amar, cansar, morrer, tantas possibilidades. Ele fantasiava. Quando ela fixava sua atenção nele sabia que estava presa nos seus cravos e que estes seriam sempre cravos, jamais ela fixaria num cravo e iria parar num buraco negro. Ele partia das celulites dela para as escadas de Marte.

Ela adorava olhar para a janela. Esta estava fechada e ele ou ela não tinha passado a trava. O vento, a janela abriu. Uma ventania forte. Portas batendo, papéis voando. Ele correu tentando pegar alguma coisa no ar. Ela ficou sentada de boca aberta vendo tudo voar.

A calmaria.

Ele riu e pensou no seu quarto na infância. Estava pronto para começar a por as coisas no lugar. Ela continuava sentada, um olhar perverso, disse: "A culpa é sua!" e deu um grito.

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