A Garganta da Serpente
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As lendas de minha meninice

(Armando Sousa)

Como mais que uma vez afirmei foi muito difícil a minha infância, pobreza e sem pai para me defender e educar, para me dar um pouco de carinho e uma sapatadinha no rabinho; morreu meu pai, fiquei sem pão e pouca educação.

Cresci ouvindo historias maravilhosas que me guiaram na vida que tenho vivido.

Uma dessas historia...A LENDA do Cavalo e o Poço

Conta a lenda que havia um Sr. carreteiro que viva dos carretos que fazia, para manter sua família, seu cavalo puxava a carroça, que carretava os alimentos vindos das feiras mais vizinhas para os taberneiros da aldeia.

Num dia de verão e muito calor o cavalo chegou cansadíssimo e cheio de cede, mas a água da pia do cavalo tinha evaporado, filhos e esposa estavam trabalhando nos campos distantes, o homem ainda foi ao poço para tirar água, mas este não continha água para encher o balde e a pouca que tinha esvaziava antes de chegar a cima porque o balde estava furado; o homem desesperado deu um pequeno laço nas rédeas dizendo espera um pouco amigo que vou á fonte buscar água para ti, e pegando nos cântaros num pau os deitou aos ombros a caminho da fonte que ficava num terreno vizinho e ele não queria que o animal pisa-se o terreno que lhes não pertencia.

O homem desapareceu na curva do caminho, mas o cavalo estava inquieto com tanta cede

O cavalo abanava a cabeça, a laçada deslaçou-se e o cavalo cheira água, logo que se viu solto correu para o lugar onde cheirava a água. Louco de cede caiu ao poço, pobre animal, mesmo assim a pouca água que o poço continha foi dragada e, poucos minutos para o estômago do animal, que se pôs a rinchar muito alto.

Aos guinchos do animal ocorreram os vizinhos e a família do carreteiro que se pôs a chorar ao ver a situação do animal que mal cabia no poço e ao pensar que seria difícil retirar o animal, ao mesmo tempo sabiam que o cavalo era a maior ajuda para o ganha pão; o carreteiro chegou com a água e adivinhou o que se passava a ouvir os rinchos do cavalo. Depois de conferenciar com amigos e família realizaram que faria falta uma grande grua coisa que não havia na aldeia, chegando à conclusão de que seria melhor enterrar o cavalo já que estava no fundo do poço.

Então todos os vizinhos e família munidos de pazes iniciaram a deitar terra para o enterrar.

A terra caia e o cavalo rinchava mas menos e menos se ouvia rinchar; então o carreteiro foi espreitar julgando-o enterrado, assim viu o cavalo que sacudia a terra e a pisava e pisava. Mas já estava a meio do poço e o carreteiro viu que afinal o cavalo era mais esperto e por esse motivo sobrevivia, este viu que era possível retirar o cavalo e pediu aos vizinhos para fazerem mais um pouco de sacrifício, assim o cavalo condenado a ser enterrado viveu; e aprendeu que deveria obedecer; mas o moral da história.

Quando tu estas no fundo mais te querem enterrar... mas nesse ponto sacode todo o esterco que te atiram e pisa-o todo bem pisado pois começaras a subir... isto é verdade

Amigos, conheço um caso real que se passou á muitos anos que vou passar a contar, mas omitindo nomes e lugares.

Fins de janeiro de 1968 depois duma viagem sobre o mar chegava uma família de imigrantes a Toronto que um cunhado tinha feito a carta de chamada para trabalhar numa vila onde as minas eram quase o único emprego, mesmo assim escasso.

Depois de uma viagem com escala a Amsterdã, Holanda, aterraram em Toronto fazendo escala para essa vila mineira, o casal e quatro filhas com idade compreendida mais nova seis meses, mais velha sete anos, e a esposa com sintomas de gravidez .

Uma cave húmida e fria, foi-lhes destinada palácio de moradia.

Para um principio de vida servia, se não fosse o esterco hipócrita e acções incompreensíveis.

Apenas conseguiu trabalho passadas duas semanas, fora de sua especialidade, ganhando uma miséria $1.60 por hora, mas as obrigações da cave do cunhado eram grandes, apesar de tudo, dever comprido a tempo e horas.

Mas quantas vezes ouviu, que veio este miserável para aqui fazer com um bando de filhos, este sem responder sacudia a terra e pisava-a seguindo em frente.

Suas filhas entraram para uma escola de língua francesa. Quando no Ontário a língua oficial era Inglesa, mas logo o esterco e escárnio o fez usar de paciência e lógica; quando lhes disseram em provocação... o Sr. é um estúpido em mandar suas filha para a escola Francesa, saiba que aqui é o Inglês que reina e um copo cheio de água não se pode encher de vinho; este, com a calma e com a noção que estariam mais, para demonstrar sua antipatia e sua hipócrita covardia; com ar de riso apenas respondeu; Sr. saiba que um Cérbero de uma criança não se compara a um copo; mas sim a um poço sem fundo; quanto mais se lhe deita este mais facilmente absorve.

Esta resposta deixou-os perplexos e ainda com mais vontade de o enterrar; este sem solução sofria todas as invertidas de escárnio; seus cunhados principiaram a fazem coro com os amigos e afazer judiarias, como retirar-lhe o contacto, o uso de telefone, fechar-lhe a maquina de Lavar a roupa, proibir de que a esposa guarda-se uma criança para ajudar um pouco o marido;... fazer a esposa cúmplice das cartas que duas amigas abriam a três hospedes numa casa vizinha, uma delas sua cunhada, foi o que chegou o lume a esse rastilho de ódio, que no meio do inverno Canadiano; saíram de ferias portas fechadas, aquecimento fechado ao mínimo, as crianças tiritavam, uma dela ficou marcada para a vida, seus olhos nunca voltaram ao normal da constipação; isto até que este teve a brilhante ideia de fazer ligação com uma agulha em vez do termostato, fazendo o aquecimento trabalhar quando sentia frio.

Este perdeu o trabalho devido a intrigas e mentiras, os familiares estavam envolvidos nas intrigas e o mesmo senhor que lhe chamou burro.

Programa ao imigrante e entrar no continuar da educação foi resolvendo esta situação precária, o ódio aumentava nos cunhados, ao ponto de lhes chamar a policia, porque as crianças jogaram com uma bola de ténis contra a casa.

Seguidamente uma carta de um advogado de despejo da cave; neste ponto um Sr. que tinha feito uma garagem com a ajuda desta família mártir veio em socorro, este sabia que depois de tanta terra para o enterrar este continuava subindo pisando a terra, que merecia ser ajudado... então entrando na cave vendo a maquina marcada com um plástico vermelho, pegou na roupa suja e a levou para lavar assim como as crianças para tomar banho que apenas o podiam fazer numa bacia; incitou a comprar uma casa oferecendo todos os conhecimentos linguísticos e monetários se necessário.

Sua influencia foi enorme para consegui a este chefe de família um trabalho que o consegui-se retirar do fundo do poço...um trabalho a mineiro.

Este bem conhecia a traição usada contra aquele que tanto lutava para se manter com sua família de cabeça erguida sem vergonha ou hipocrisia; apenas todos agarrados ao dever da honestidade

Este nunca conheceu o caminho dos bares, mas com os filhos conhecia todos os lavradores das redondezas e seus animais.

Os lagos eram seu passatempo predilecto e da família; o salão de dança da comunidade viu nestes os primeiros Portugueses a pisar o recinto de dança, por isso a receberem um ramalhete de trinta e seis rosas; e dois litros e meio de whisky, suas filhas cheias de beleza e educação, foram as primeiras da comunidade Portuguesa daquela vila mineira a entrar num colégio de cursos secretariais e cosméticos.

Com elas, pois eram duas que foram juntas, levaram o seu carro para voltarem a casa quando chega-se as saudades; eram livres de escolher caminho, seguindo seu destino iniciado numa casa velhinha lá longe em Portugal.

Enfim a inveja enterrou todos que o queriam enterrar, de tantos apenas ele e o amigo que o ajudou a sair do poço continuam com uma família unida vivendo sua velhice com alegria...

Este sempre perdoou, mas nunca se esqueceu; para passar tempo foi produtor dum programa de televisão que oferecia gratuito a toda a comunidade mineira; em língua Portuguesa.

Desceu a Toronto para ajudar a criar os netos e estar perto dos filhos, no tempo de ócio é jornalista transcrevendo eventos de comunidade para a comunidade.

Mas de verdade seu grande amor além da esposa que adora, é a poesia e seus amigos virtuais...as lendas e contos tiveram grande influencia na sua vida, pois este como o cavalo, sacudiu e calcou todo o esterco lançado para o enterrar.

Desligou-se de todos os medos, deuses e diabos, para abraçar a mãe natureza que o alimenta e sacia e o deixa viver.

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